«E foi então que apareceu a raposa:
– Bom dia, disse a raposa.
– Bom dia, respondeu polidamente o principezinho que se voltou mas não viu nada.
– Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira…
– Quem és tu? perguntou o principezinho.
Tu és bem bonita.
– Sou uma raposa, disse a raposa.
– Vem brincar comigo, propôs o princípe, estou tão triste…
– Eu não posso brincar contigo, disse a raposa.
Não me cativaram ainda.
– Ah! Desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
– O que quer dizer cativar ?
– Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
– Procuro amigos, disse. Que quer dizer cativar?
– É uma coisa muito esquecida, disse a raposa.
Significa criar laços…
– Criar laços?
– Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos.
E eu não tenho necessidade de ti.
E tu não tens necessidade de mim.
Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo…»
O excerto do diálogo entre a raposa e o Pincipezinho serve para recordar o clássico da infância mais adulto de sempre, da autoria de Antoine de Saint-Exupéry que completaria hoje, se fosse vivo, o seu 110º aniversário.
Escritor, ilustrador e piloto da II Guerra Mundial acabou por morrer a 31 de julho de 1944, durante um acidente de aviação numa missão de reconhecimento sobre Grenoble e Annecy.
Os destroços do avião que pilotava foram encontrados a alguns quilómetros da costa de Marselha mas o corpo do escritor jamais foi encontrado.
Para assinalar a morte do escritor com alma de poeta o Google criou um banner do «Principezinho» que morreu aos 44 anos.
E se o «Principezinho» é uma obra obrigatória na estante de uma casa os adeptos das novas tecnologias podem ler ou reler algumas das mensagens do príncipe de cabelo louro nas versões animadas disponíveis, abaixo:


