João Vale e Azevedo pediu hoje a reapreciação da liberdade condicional, depois de o Tribunal de Westminster, em Londres, ter recusado o pedido das autoridades portuguesas para ampliação do âmbito da extradição para Portugal do antigo presidente do Benfica.
A advogada de Vale e Azevedo, Luísa Cruz, apresentou o pedido no Tribunal de Execução de Penas de Lisboa por considerar que a decisão do tribunal britânico, datada de 27 de maio último, constitui «factos novos e informações complementares».
No acórdão do Tribunal de Westminster, o juiz Purdy recusa a ampliação do âmbito da extradição de Vale e Azevedo, que, sublinha-se no acórdão, a que a agência Lusa teve acesso, «tem a proteção que lhe é conferida pelo princípio da especialidade».
Recentemente, o Tribunal da Relação manteve a pena de 10 anos de prisão aplicada a Vale e Azevedo por apropriação indevida de mais de quatro milhões de euros do Benfica, branqueamento de capitais, abuso de confiança e falsificação de documento.
Fonte judicial disse à agência Lusa que o Tribunal da Relação de Lisboa julgou «improcedente» o recurso apresentado pelo antigo presidente do Benfica do acórdão da 3ª Vara Criminal de Lisboa.
A 2 de julho do ano passado, o tribunal de primeira instância condenou Vale e Azevedo a quatro anos de prisão por um crime de peculato na transferência do futebolista britânico Scott Minto.
Pelo mesmo crime, Vale e Azevedo foi condenado a cinco anos de prisão pela transferência do também britânico Gary Charles.
Foi ainda condenado a três anos por abuso de confiança no que se refere à transação dos direitos desportivos do brasileiro Amaral.
O tribunal atribuiu igualmente as penas de dois anos de prisão pela falsificação de documento na transferência de Scott Minto e de quatro anos e meio na negociação de Amaral.
No crime de branqueamento de capitais, Vale e Azevedo foi condenado a cinco anos de prisão por se ter apropriado de 500.000 libras estrelinas na transferência de Scott Minto.
Em cúmulo jurídico, o coletivo de juízes fixou a pena única de 10 anos de prisão efetiva e decidiu pedir o alargamento do pedido de extradição para Portugal.

