O filme “Um funeral à chuva”, primeira longa metragem de Telmo Martins e que chega aos cinemas na quinta-feira, é “um grito” pela cinema independente, disse o realizador à agência Lusa.
“Um funeral à chuva” foi rodado na Covilhã, com a Serra da Estrela no horizonte, e teve um orçamento de 80 mil euros, sem qualquer apoio financeiro do Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA).
Realizador, atores e equipa técnica fizeram o filme com a premissa de que só seriam pagos quando recebessem os lucros da bilheteira, a repartir por todos.
“Achei que era importante dar um grito e dizer que não é só nas grandes cidades que se pode fazer cinema. Não temos dinheiro, ninguém nos apoia, vamos fazer na Covilhã”, disse Telmo Martins à Lusa.
“Um funeral à chuva” é a primeira longa metragem de Telmo Martins, 31 anos, e foi feita apenas com patrocínios privados.
“Concorremos ao ICA e ao FICA, sempre tentámos ser apoiados e sempre nos foi negado o apoio. Basta, vamos arrancar nós”, recordou o realizador.
O filme tem exatamente o mesmo ponto de partida de “Os amigos de Alex” (1983), de Laurence Kasdan, sobre um grupo de amigos que se reencontra ao fim de alguns anos para ir ao funeral de um que morreu.
Mas as coincidências ficam-se por aí e o filme português toma um caminho diferente, sublinhou Telmo Martins.
“Um funeral à chuva” “é sobre uma amizade verdadeira e pura que é criada entre um grupo de amigos na universidade” e é também sobre “as máscaras que todos nos usamos todos os dias, fingimos ser pessoas que não somos na realidade”, disse.
Essas máscaras só caem em situações extremas, como um funeral, onde se revelam as frustrações e as desilusões de cada um dos sete amigos, antigos estudantes da Universidade da Beira Interior.
Do elenco fazem parte, entre atores reconhecíveis das telenovelas e caras desconhecidas, Alexandre da Silva, Hugo Tavares, Pedro Diogo, Pedro Górgia, João Ventura, Luís Dias, Sandra Santos e Sílvia Almeida.
Para Telmo Martins, “Um funeral à chuva” está a meio caminho entre “o cinema enquanto arte” e o filme mais comercial.
“Tentámos apontar para o meio, que não descurasse um conceito e que conseguisse comunicar com toda a gente e que conseguisse beliscar” o espetador, defendeu.
“Um funeral à chuva” estreia-se na quinta-feira em cerca de vinte salas de todo o país.


