Com o Verão muito próximo, muitos são os que optam por tomar suplementos para ajudar na perda daqueles quilos indesejados que afectam a nossa auto-estima. É perfeitamente legítimo querer perder esses quilos, mas temos de ter algum cuidado com o que tomamos. Os suplementos alimentares definem-se como géneros alimentícios que se destinam a complementar e/ou suplementar a alimentação normal. Nesta definição – que pode ser consultada na íntegra na legislação portuguesa – estão incluídos suplementos vitamínicos e minerais, bem como suplementos à base de plantas e outros. Todos – como já deve ter reparado – podem ser comercializados em vários locais, e não estão sujeitos a receita médica.
Uma vez que o tema é vasto, vou cingir-me a alguns suplementos comercializados com o intuito de ajudar a emagrecer (quitosano, garcinia cambogia, fibras, yohimbe, ephedra e ácido linoleico conjugado).
O quitosano é um composto derivado das carapaças de crustáceos (não devendo ser consumido por alérgicos a marisco), promovido como sendo capaz de reduzir a absorção de gordura a nível intestinal. Estudos iniciais sugeriam haver alguma eficácia deste composto no emagrecimento, mas uma revisão de 2004 indica que essa eficácia não está suficientemente estabelecida.
Um suplemento muito usado para ajudar a emagrecer é a garcinia cambogia, que terá efeitos por inibir a síntese de gorduras no organismo. Alguns estudos indicam uma possível eficácia da garcinia, mas outros indicam o contrário, sendo de destacar que pode provocar efeitos adversos (dores de cabeça, distúrbios intestinais). Também algumas fibras são comercializadas com o intuito de emagrecer (glucomanano, goma guar e psílio). De uma forma geral, são seguras, mas a eficácia quanto ao emagrecimento não se tem confirmado em todas.
A yohimbe é uma árvore de folha perene nativa da África Central (pausinystalia yohimbe) que tem sido promovida como coadjuvante de dietas de emagrecimento. Os estudos com suplementos à base desta planta têm dado resultados muito díspares, de maneira que não se pode ainda concluir acerca da sua efi cácia, sendo de salientar que os potenciais efeitos adversos não são de descurar (interacção com antidepressivos, efeitos adversos a nível renal). Outro suplemento muito comercializado pelos potenciais efeitos no emagrecimento é o ácido linoleico conjugado (CLA). Uma das suas formas químicas apresentou efeitos de redução da massa adiposa, mas os efeitos têm sido sobretudo observados em animais.
Há ainda que referir uma planta cuja comercialização é proibida na União Europeia, mas que por vezes aparece por cá (economia paralela). Estou a falar da ephedra sinica (ou ma huang), um arbusto da Ásia Central, cujo ingrediente ativo é a efedrina. Este composto – sobretudo quando combinado com a cafeína – poderá ser eficaz na redução do peso corporal. Contudo, os riscos são tais (sintomas psiquiátricos e gastrintestinais, arritmias cardíacas e – nalguns casos – morte) que não devia passar pela cabeça de ninguém tomar semelhante suplemento. Muitos mais suplementos para emagrecer poderiam ser aqui discutidos, bem como junções de várias plantas num só produto. Mas, na grande maioria dos casos, a conclusão é sempre a mesma: a eficácia não está suficientemente estabelecida e os riscos – mais ou menos graves e com algumas exceções – são uma realidade. Conclui-se, pois, que, em regra, a evidência é insuficiente para que possamos recomendar o seu uso. Para além destes aspectos, gostaria de salientar que a ideia de que ¿natural¿ é sinónimo de «seguro» não é válida. Já pensou que algumas drogas são naturais e que algumas bactérias – felizmente poucas – são patogénicas (podem provocar doença)?
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