Chama-se Vicente o responsável pela grande intensidade com que Ricardo Pereira tem encarado o dia a dia. A nova personagem do ator, na novela da SIC “A Herança”, desafia-o pela sua complexidade e exige-lhe muita entrega e dedicação. “É um homem com imensas camadas e máscaras. É um verdadeiro vilão, vê-se de caras, mas é tão envolvente, tão charmoso, tão malandro… Tem uma agenda de maldade tão grande”, descreve o ator. Entusiasmado com o papel, Ricardo admite que é “muito giro” dar vida a Vicente, mas igualmente cansativo: “Obriga-me a ter uma disciplina muito rigorosa em tudo. Gravamos muitas horas e tenho trabalhado numa coisa que é: todos os dias tenho que treinar às 7h da manhã. É bom ir com aquele ‘pico’, tenho que estar muito mais desperto do que toda a gente.” Além disso, há outra atividade que o ajuda a encontrar a “paz interior” necessária para conseguir chegar à personalidade aparentemente leve deste vilão: “Comecei a meditar. Já o fazia há algum tempo, mas uma ou duas vezes por semana. Agora estou a meditar praticamente todos os dias a caminho do estúdio. Vou no transporte a fazê-lo. São pequeninos gatilhos que são importantes para se chegar num determinado estado às filmagens.” Acordado desde as 6h da manhã e bem hidratado ao longo do dia, já que bebe muita água, encontra assim o equilíbrio para preservar o “estado emocional” que lhe pede a personagem. “Tem sido um trabalho diário muito grande”, admite. Com pouco tempo para descansar e descontrair, é ao sábado e na manhã de domingo (à tarde já se ocupa a estudar os textos da semana) que o ator se dedica à família, pilar essencial da sua vida. “Nesse dia e meio procuro fazer o que eles mais querem e mais gostam. Às vezes, é cansativo, mas quem é pai e mãe sabe que é assim… E mesmo que seja cansativo, desligamos e faz-nos bem! É libertador e prazeroso ao máximo!” – assume Ricardo, sobre as atividades que faz em conjunto com os filhos. E, para além de Vicente, Francisca e Julieta, há outra pessoa imprescindível na vida do ator, com quem faz questão de preservar momentos só seus. “É importante não nos esquecermos da vida a dois. Com a profissão de cada um, as crianças, as preocupações… Se nos esquecermos de alimentar isso, qualquer dia não nos conhecemos. E mais, os miúdos um dia vão sair de casa! Quando, de repente, estivermos os dois sozinhos, não quero dizer ‘quem és tu’? Não! É aquela pessoa com quem eu estive e que esteve comigo, acompanhámo-nos e construímos. É importantíssimo!” – sublinha o artista, que é casado há 14 anos com Francisca Pereira.

