A entrega a um novo juiz do Supremo Tribunal de Nova Iorque do julgamento de Renato Seabra, acusado do homicídio do colunista Carlos Castro, vai implicar uma pausa nos trabalhos, disseram à Lusa fontes ligadas ao processo.
Segundo uma fonte ligada ao processo, o terceiro juiz a ter em mãos o caso, Daniel Fitzgerald, “estará a pôr-se a par” do processo, durante o dia de hoje, depois de ter passado toda a quarta-feira reunido com a defesa e a acusação, para esclarecer elementos processuais.
“O processo de seleção dos jurados pode começar na sexta-feira, mas mais provavelmente apenas na próxima semana”, disse à Lusa Diem Tram, assistente da procuradora Maxine Rosenthal, responsável pela acusação de Seabra.
A seleção de jurados, a acordar entre defesa e acusação, deveria ter tido início na quarta-feira.
O processo pode demorar entre poucos dias e até duas semanas, dependendo da facilidade com que são escolhidos os jurados.
Daniel Fitzgerald recebeu o processo das mãos de Michael Obus, juiz chefe do Supremo do condado de Nova Iorque, que foi responsável pelo processo de Dominique Strauss-Khan.
Charles Solomon, juiz que acompanhou o processo desde o início afastou-se antes da fase de pré-julgamento.
Na última sexta feira, o juiz Michael Obus considerou válida a confissão de homicídio do colunista Carlos Castro por Renato Seabra, cuja anulação era pedida pela defesa do jovem português.
Depois de ouvir os dois detetives no Supremo Tribunal de Nova Iorque, um deles o luso-descendente Michael de Almeida, que extraíram a confissão, em português, na ala psiquiátrica de um hospital, o juíz considerou que todos os requisitos foram obedecidos.
Após a audiência, o advogado de defesa, David Touger, disse estar tranquilo com a decisão, uma vez que a confissão, em que Seabra diz ter assassinado Castro para o “libertar dos demónios” da homossexualidade, acaba por sustentar a sua tese.
“A declaração dele apoia a sua defesa”, disse o advogado à Lusa.
A tese da defesa é de que Seabra não pode ser considerado culpado, por se encontrar num estado de perturbação mental quando cometeu o crime.
O caso remonta a 07 de janeiro de 2011, quando o cadáver de Carlos Castro, de 65 anos, foi encontrado nu, com sinais de agressões violentas e mutilação dos órgãos genitais, no quarto de hotel que partilhava com Renato Seabra, em Manhattan.
O jovem continua na prisão de Rikers Island, por decisão do departamento penal de Nova Iorque, medicado e sujeito a vigilância médica.
LUSA


