Sexta-feira, Janeiro 16, 2026
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Reino Unido/Papa: Bento XVI reconheceu pela primeira vez que Igreja não foi «vigilante»

O Papa Bento XVI reconheceu hoje pela primeira vez que a Igreja em conjunto, os bispos e o Vaticano não foram suficientemente “vigilantes, velozes e decisivos” para enfrentar os casos de pedofilia envolvendo padres.

Em declarações aos jornalistas no avião que o conduziu a Edimburgo, onde aterrou pouco depois das 10:20 [mesma hora em Lisboa], o papa Bento XVI afirmou que agora a principal prioridade é ajudar a curar as vítimas e reconquistar a confiança destas na igreja.

¿Tenho que dizer que sinto uma grande tristeza. Tristeza também porque a autoridade da Igreja não foi suficientemente vigilante, nem suficientemente veloz, nem decidida, para tomar as medidas necessárias¿, afirmou o Papa.

Em relação às vítimas de abusos sexuais de padres, Bento XVI defendeu que lhes sejam dadas ¿ajudas psicológicas e espirituais¿.

Sobre os padres pedófilos, o Papa afirmou que ¿a estas pessoas culpadas é necessário exclui-las de qualquer possibilidade de aceder aos jovens¿.

¿Sabemos que esta é uma doença e que a livre vontade não funciona, e devemos proteger estas pessoas delas próprias e é preciso encontrar o modo de as ajudar e excluir qualquer acesso aos jovens¿, sublinhou.

Bento XVI adiantou que para que nunca mais ocorram este tipo de abusos ¿é necessária uma prevenção na educação e na seleção de candidatos ao sacerdócio. É preciso ter muito cuidado¿.

O papa confessou que a revelação destes casos de pedofilia foi um ¿choque¿ e ¿uma grande tristeza¿.

¿É difícil entender como essa perversão era possível no ministério sacerdotal. Pois o sacerdote prepara-se durante anos para ser a boca e as mãos de Jesus, o bom pastor, que ama e ajuda à verdade¿, sublinhou.

Em relação à visita ao Reino Unido, um país de maioria anglicana e fortemente secularizado, e onde se realizaram manifestações contra a sua deslocação, o papa assegurou que não está preocupado porque ¿o Reino Unido é um país de grande tolerância e de acolhimento¿.

¿Venho com força e alegria¿, disse. Falando sobre as relações entre a Igreja católica e a anglicana sublinhou que as duas ¿são o instrumento de Cristo para propagar o Evangelho e que a prioridade é Cristo¿, e que não considera ¿que sejam concorrentes¿.

Bento XVI explicou ainda que a missão da Igreja não é ser ¿atrativa¿ para ganhar adeptos, mas ¿anunciar Jesus Cristo¿.

Em relação à visita ao Reino Unido ser considerada de Estado, Bento XVI afirmou sentir-se ¿muito grato¿ pela denominação dada pela rainha Isabel II, mas explicou que não se trata ¿de uma visita politica¿ mas de uma viagem pastoral.

Neste sentido, Bento XVI reconheceu que o Vaticano é considerado um Estado só para garantir a independência quando divulga o Evangelho.

O Papa comentou que o Reino Unido tem uma grande experiência na luta contra a miséria, a pobreza, a doença e as drogas e a favor da paz em todo o mundo.

O papa foi esperado no aeroporto de Edimburgo por uma guarda de honra de 30 soldados do regime real da Escócia e pelo príncipe Filipe, duque de Edimburgo.

Bento XVI deverá deslocar-se para o castelo de Holyroodhouse, onde terá uma audiência com a rainha de Inglaterra, Isabel II, chefe da igreja anglicana.

O primeiro acontecimento popular da visita do papa ao Reino Unido, que termina domingo, está previsto para as 17:00 com a celebração de uma primeira missa ao ar livre em Glasgow.

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