A Rainha Isabel II de Espanha (1830-1904) ofereceu ao Papa Pio IX uma cópia de um quadro de Murillo «Casamento místico de Santa Catarina» (1650/1655) e dez anos depois ofereceu a tela original ao Rei D. Luís de Portugal.
Segundo o site «The Art of Newspaper», a descoberta foi feita pelo investigador português Hugo Xavier, que encontrou um antigo álbum de fotografias do Palácio da Ajuda, antiga residência régia.
Numa das fotografias, a pintura de Murillo tem uma anotação do monarca português afirmando que foi oferecida pela Rainha espanhola em 1865.
No entanto, dez anos antes a soberana ofereceu uma cópia a Pio IX, que foi tida como uma tela autêntica do mestre espanhol. A suposta tela de Murillo passou a fazer parte da colecção do Vaticano, e só em 1958 um restauro descobriu tratar-se de um quadro falso do século XIX.
«É óbvio que essa tela fez parte da sua colecção antes de 1865 e a Rainha Isabel não se queria desfazer dela», disse o curador Benito Navarrete, do Museu de Belas Artes de Bilbau (Nordeste de Espanha).
Nenhum investigador está certo porque razão Isabel II o fez, mas Navarette adiantou que «que tal se deverá à conjuntura política da época em que a monarca estava interessa em reforçar as relações com Portugal».
Para o curador espanhol, Isabel II não terá enviado uma cópia a D. Luís (1838-1889) porque a possível descoberta causaria grande escândalo, sendo que a mesma foi enviada ao Papa «com a clara intenção de o ludibriar», afirma o curador.
O autêntico quadro de Bartolomé Esteban Murillo O casamento místico de Santa Catarina pertence ao Museu Nacional de Arte Antiga, às Janelas Verdes em Lisboa, e esteve patente em Bilbau até ao passado dia 17 no âmbito da exposição «O Jovem Murillo», no Museu de Belas Artes da cidade espanhola.


