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Psicólogo Eduardo Sá: ‘Faz sentido avaliar crianças quando a escola está no meio da sala? Não!’

Eduardo Sá reflete sobre a avaliação das crianças sujeitas às novas aulas à distância neste período de quarentena. O psicólogo evidencia que “não faz sentido avaliar crianças quando a escola está no meio da sala. Se avaliar quiser dizer que se tem de atribuir a cada aluno uma nota individual que pretenda traduzir, de forma numérica, a sua aprendizagem neste “3º período”. Vincando que este é o tempo de aulas mais atípico e desigual que conhecemos com crianças a terem experiências muito diferentes umas das outras, quer pela tecnologia e espaço disponíveis, quer pela diferença na presença ou apoio dos pais. “Há alunos que, em vez de terem aulas, têm os seus professores ou a recomendarem-lhes as páginas que têm de estudar ou a “substituir” as aulas por trabalhos de casa, e tudo isso cria diferenças tão abissais que faz da justiça de uma avaliação um “sonho”. E porque avaliar crianças entre os 6-14 desta maneira corre o risco de as prejudicar, + do que as ensinar”, alerta o profissional. Por fim, Eduardo Sá deixa um pedido: “Não se use, por favor, a avaliação, nesta altura, como uma “epidemia de dores de cabeça” dentro da pandemia!”. Leia aqui o texto na íntegra: Faz sentido avaliar crianças quando a escola está no meio da sala? Se avaliar quiser dizer que se tem de atribuir a cada aluno uma nota individual que pretenda traduzir, de forma numérica, a sua aprendizagem neste “3º período”, não!   Porque este é o tempo de “aulas” + atípico e + desigual que conhecemos. Porque ter a escola no meio da sala e do teletrabalho dos pais introduz tantos “solavancos” tão diferentes na aprendizagem que, nesta altura, falar da educação como igualdade é uma ficção (bem intencionada); mas, essencialmente, uma ficção. Porque há alunos que têm 6/7h de aulas por dia, outros que têm uma hora de aulas e outros, ainda, que não têm contacto com alguns dos professores há já algum tempo. Porque há alunos que têm “ambiente de estudo”, um computador pessoal e rede digital e alunos que não têm nada disso. Porque a forma como os professores estão a transitar do ensino presencial para o “ensino à distância” se faz a velocidades diferentes e com meios e recursos formativos distintos. Porque há alunos que têm um dos pais a olhar pela sua aprendizagem e alunos (10 e 11 anos) que passam o dia sozinhos (!!), porque os seus pais têm trabalhos precários que, todavia, são imprescindíveis à subsistência da família. Porque há alunos que, em vez de terem aulas, têm os seus professores ou a recomendarem-lhes as páginas que têm de estudar ou a “substituir” as aulas por trabalhos de casa, e tudo isso cria diferenças tão abissais que faz da justiça de uma avaliação um “sonho”. E porque avaliar crianças entre os 6-14 desta maneira corre o risco de as prejudicar, + do que as ensinar.   Retome-se, com a quarentena, a escola da forma possível. “Usem-se” os pais como “professores” da forma possível. “Usem-se“ os professores da forma possível. Ensine-se e “avalie-se” da forma possível. Mas não se transforme esta espécie de 3º período numa avaliação final ± igual às outras. Não se use, por favor, a avaliação, nesta altura, como uma “epidemia de dores de cabeça” dentro da pandemia!                             Uma publicação partilhada por (@eduardosa.pt) a 21 de Abr, 2020 às 2:34 PDT  

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