Terça-feira, Janeiro 13, 2026
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Os mitos a que o leite tem sido sujeito

Ao usar o termo «leite» estou a referir-me ao leite de vaca, já que se quisesse referir-me a outro leite teria e indicar a espécie de origem, por exemplo, leite de ovelha ou leite de cabra.

O leite é um alimento com características nutricionais interessantes, já que fornece minerais (cálcio, fósforo, magnésio, potássio, zinco), vitaminas (B2, B12, A e, se for enriquecido, D) e proteínas de excelente qualidade. Este último aspeto é importante, pois ¿ em relação à carne e ao peixe ¿ estas proteínas são baratas, o que é algo a ter em conta nos tempos que correm.

No século passado, as campanhas de promoção do consumo de leite surgiram um pouco por todo o globo, tendo – inadvertidamente – marcado o início do primeiro grande mito relativo ao leite, ou seja «o leite é um alimento completo».

A verdade é que não há alimentos completos em alimentação humana, já que não podemos sobreviver saudáveis ingerindo apenas um alimento. Há apenas uma exceção a esta regra. Refi ro-me ao leite materno que – quando as mães são saudáveis e bem nutridas e têm bebés saudáveis – é completo, podendo ser o único alimento do bebé nos seus primeiros meses. A partir daí já não há alimentos completos.

Depois do primeiro grande mito, surgiu – sobretudo nos últimos tempos – um outro diametralmente oposto. Ouve-se dizer que o leite faz mal, que estamos a fazer algo muito mau ao beber leite (pois somos o único mamífero que depois da primeira infância continua a bebê-lo), que determinada pessoa não pode beber leite pois um teste feito algures no estrangeiro (normalmente caro) diz que – a essa pessoa – é o leite que a engorda. A verdade é que muitos estudos indicam precisamente o contrário. O leite tem benefícios para a saúde, quer a nível ósseo, quer na redução do risco de algumas doenças (por exemplo, enfarte do miocárdio e obesidade, entre outras). Estes benefícios podem estar relacionados com vários componentes do leite,

sendo de salientar os minerais e compostos bioativos, como o ácido linoleico conjugado (CLA).

Há, de facto, pessoas que não devem beber leite nem comer alimentos que o contenham! É o caso de todos os que são alérgicos às proteínas do leite de vaca. Outra situação que pode limitar o consumo de leite é a intolerância à lactose (incapacidade de digerir o açúcar do leite – lactose – por falta da enzima lactase). Nestes casos, há várias alternativas: optar por derivados do leite (iogurtes, queijos), bem tolerados na maioria dos casos; por leites sem lactose; ou, em alternativa, por usar a enzima lactase quando se ingere leite.

Para além destes casos, não há razões para evitar o leite se gostar de o beber! Também não é obrigado a beber leite se não gostar deste alimento! Pode optar por iogurtes, leites fermentados e queijos.

É importante lembrar que os laticínios são um grupo importante na alimentação – se não fossem, não estariam na Roda dos Alimentos. É de salientar a importância deste grupo alimentar na satisfação das necessidades de cálcio. É evidente que há alimentos não lácteos que contêm cálcio, mas é muito mais difícil satisfazer as necessidades deste mineral sem os laticínios. Quem não consome laticínios pode continuar a fazê-lo, desde que esteja bem informado para evitar deficiências nutricionais, sendo aconselhável consultar um especialista em nutrição.

Resta falar do tipo de leite e da quantidade em que deve ser consumido. No que diz respeito à qualidade, a nossa escolha é determinante. Um adulto pode – e deve – optar pelas variedades magras. Quanto às crianças, devem – sensivelmente até aos 3 anos – optar pelo leite gordo, podendo a partir daí passar para o leite meio gordo. Quanto à quantidade – como seria de esperar -, o leite e seus derivados não devem ser consumidos em excesso nem em quantidades insuficientes. É sempre a mesma regra: com conta, peso e medida!

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