A esclerose múltipla é uma doença neurológica caracterizada por sintomas neurológicos que surgem por alterações inflamatórias/degenerativas no cérebro e/ou na medula. Consoante a localização destas alterações, a doença pode manifestar-se com visão turva, visão dupla, desequilíbrio, falta de força num membro ou num lado do corpo, entre outros. Surge habitualmente no jovem adulto, com idades compreendidas entre os 20 e os 50 anos, e afeta as mulheres duas vezes mais do que os homens.
Qual a prevalência da esclerose múltipla em Portugal?
Um estudo recente estima que existam cerca de 54 casos de esclerose múltipla em 100 mil habitantes (EMCoDe: Esclerose Múltipla ¿ Conhecer e Desmistificar, Joaquim Pinheiro).
Quais as formas da esclerose múltipla?
A doença tem várias formas de apresentação conhecidas. A mais frequente é a forma surto-remissão que numa fase mais tardia pode transformar-se em secundária progressiva. Mais raramente a doente evolui sem surtos, sendo progressiva desde o início e denomina-se de forma primária progressiva.
O que é um surto?
Um surto corresponde ao aparecimento de sintomas de novo ou ao agravamento de sintomas pré-existentes. Estes sintomas duram mais de 24 horas. Pode haver uma recuperação completa após o surto ou pode haver melhoria com acumulação de incapacidade.
Para o doente, os surtos contribuem para uma das dificuldades/desafios da doença pela necessidade de novo ajuste em e após cada surto. Após a adaptação a um novo nível funcional e forma de vida, o próximo surto pode acumular novo défice, exigindo novo ajuste.
A esclerose múltipla e a evolução da Medicina
O nome esclerose múltipla surge em 1868 por Jean-Martin Charcot. Sendo nessa altura uma doença rapidamente incapacitante, continua a ser atualmente a principal causa de morbilidade não traumática do sistema nervoso central em adultos jovens. Desde os primórdios do conhecimento da doença, altura em que as alternativas medicamentosas eram muito escassas, muito se evoluiu, quer na variedade de medicamentos disponíveis quer na melhoria da sua eficácia. Existe atualmente capacidade de redução marcada da inflamação, do número de surtos, atraso na progressão da incapacidade e, logo, menor probabilidade de dependência motora, com melhoria da qualidade de vida.
Quando é que devem ser iniciados os medicamentos específicos para a esclerose múltipla?
Sabemos que o tratamento modificador da doença deve ser iniciado o mais precocemente possível após o diagnóstico por melhorar o prognóstico, ou seja, diminuir a progressão da doença e a sua evolução para a incapacidade.
Em resumo, a esclerose múltipla é uma doença neurológica com formas de apresentação, sintomas e progressão variáveis de indivíduo para indivíduo. Constitui um desafio para doentes e médicos assistentes pelo risco de surtos e progressão de incapacidade. Felizmente, houve uma evolução marcada nas armas terapêuticas e no controlo da doença. Com toda a investigação em curso, é expectável a continuidade futura na maior eficácia dos medicamentos disponíveis e melhor controlo da doença.
Dra. Irene Mendes – irenemendes1@gmail.com


