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Muro de Berlim cai pela segunda vez

Ontem, na capital alemã, o povo saiu à rua numa noite assim: molhada mas plena de optimismo ou não estivesse em causa o vigésimo aniversário da queda do muro de Berlim, que dividiu a Alemanha durante 28 anos e representou, simultaneamente, a divisão do mundo em dois sistemas políticos antagónicos.

Milhares de pessoas munidas de guarda-chuva deslocaram-se até à porta de Brandenburgo, ex-libris da capital alemã, para assistir à reconstituição da queda do muro de Berlim simbolizado através de peças gigantes de dominó. As peças foram concebidas em polistireno e pintadas pelos alunos de escolas alemãs e europeias.

As peças de dominó com cerca de dois metros e meio de altura foram espalhadas ao longo de um quilómetro e meio (o muro de Berlim tinha cerca de 155 quilómetros).

Coube ao ex-presidente polaco e ex-líder do sindicato Solidariedade, Lech Walesa, empurrar a primeira pedra deste muro simbólico.

Durante a tarde Walesa e Mikhail Gorbachev, ex-presidente da URSS, juntaram-se à chanceler alemã Angela Merkel e, todos juntos, atravessaram o antigo posto fronteiriço de Bornholmer Strasse, um dos primeiros a ser aberto a 9 de Novembro de 1989.

O derradeiro acto da queda do dominó foi antecedido do discurso de vários líderes políticos na emblemática porta de Brandeburgo.

Merkel não passou ao lado da «página negra da história da Alemanha» durante a perseguição aos judeus lembrando quesem liberdade não há democracia. A olhar para o passado mas com os olhos postos no presentes a chanceler enumerou alguns desafios actuais, como a defesa dos direitos humanos e a protecção do ambiente.

Já o primeiro-ministro britânico Gordon Brown aproveitou a festa da liberdade para lembrar que ainda existem povos prisioneiros como o caso do Darfur e do Zimbabwe.

Dmitri Medvedev e Nicolas Sarkozy, presidentes da Rússia e França, duas das quatro potências que dividiram Berlim no final da II Guerra Mundial, também aproveitaram os festejos para enaltecer a coragem dos alemães.

A grande surpresa da noite foi a mensagem do presidente dos Estados Unidos, que surgiu num vídeo surpresa. Barack Obama aproveitou o momento solene para dedicar o dia a todos os alemães e a todos os que ainda vivem em tirania.

Já a secretária de Estado americana Hillary Clinton recordou, por seu turno, o papel do Papa João Paulo II, polaco, na queda do comunismo.

O primeiro-ministro português José Sócrates, que ao final da noite participou num jantar oferecido por Merkel, comentou, citado pela Lusa, que estes festejos «são também o momento para fazer justiça ao projecto europeu, que esteve à altura deste momento histórico e correspondeu com o alargamento».

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