A morte de um português esteve na origem dos tumultos em Estocolmo, avança o
Expresso.
Lenine Relvas-Martins, de 68 anos, era casado com uma finlandesa, e encontrava-se a viver na Suécia há mais de 30 anos.
O português foi morto pela polícia no passado dia 12, em circunstâncias que estão ainda por esclarecer. O emigrante foi baleado pelos agentes dentro de sua casa, em Husby, perto da capital sueca.
A polícia afirma que foi chamada por habitantes do bloco de apartamentos, que alertavam para um desacato, que um homem armado com uma faca estaria a ameaçar a mulher. Quando a polícia chegou ao local, afirmou que tentou acalmar o português por telefone e como este não abriu a porta os agentes arrombaram-na e dispararam sobre o português.
No entanto, a família tem outra versão. O cunhado do português, Risto Kajanto, conta que o casal tinha ido jantar a um restaurante e à saída foi importunado por um grupo de jovens que travou o carro perto deles. À chegada a casa, a polícia bateu à porta, e como Relvas-Martins pensava que era o «gangue», decidiu ir buscar uma «faca de coleção» e saiu para a varanda empunhando-a.
«Isto é o que a minha irmã me disse. Mas ela está em estado de choque, o que realmente aconteceu provavelmente ninguém sabe bem», afirmou ainda Kajanto ao jornal
Aftonbladet, revelando que a irmã está acompanhada por um padre para tentar ultrapassar o trauma de ter visto o marido ser morto.
Kajanto garante ainda que o cunhado não era uma pessoa violenta – «era um homem feliz, com um grande humor» e que nunca faria mal à mulher com quem estava casado há mais de 30 anos.
Para o cunhado de Relvas-Martins, a polícia precipitou-se por não saber exatamente o que se passava, o que não justifica que tenha disparado para dominar um homem de estatura pequena, como era o cunhado.
Tendo conhecimento de que foi a morte do cunhado que desencadeou os tumultos, Risto Kajanto apelou
Aftonbladet ao fim da violência nas ruas de Estocolmo.


