O último dia da 30ª edição da ModaLisboa abriu, à semelhança do primeiro, com cinema. Às 14h00 foi exibido no auditório do Casino Estoril «Annie Liebovitz: Life through a lens».
A abertura da sala de desfiles coube a Nuno Gama, que trouxe ao Salão Preto e Prata uma colecção masculina bastante discreta e sóbria.
Cores neutras e sombrias, como o preto, azul-escuro e o antracite, a tingirem lãs, algodões e sedas surgem misturadas com tecidos tradicionais de toque mais colorido. Como vem sendo habitual nas colecções de Nuno Gama surgem apontamentos tipicamente portugueses, como os lenços das minhotas.
A moda continuou com as propostas de Nuno Baltazar, que para criar a colecção para a próxima estação inspirou-se nas mulheres de dois dos principais artistas da segunda década do século XX, Jeanne Hébuterne e Olga Koklova, mulheres dos pintores Modgliani e Picasso, respectivamente.
Mulheres extremamente elegantes e muito femininas marcam a colecção de
couture (
à porter) em que os contrastes de silhuetas
loose/
fited, fluido/estruturado e curto/longo são o acento tónico da estação.
Casacos feitos com lãs pesadas, e vestidos e saias confeccionados com cetins,
chiffons, crepes bordados e sedas com fitas de veludos e
pailettes, em preto e cinzento são as peças chave da colecção de Nuno Baltazar.
Performances no Hotel Palácio
Depois foi tempo de rumar ao Hotel Palácio para assistir às performances de White Tent, Lara Torres e aforest-design.
O espaço foi demasiado pequeno para a quantidade enorme de público que queria assistir às propostas dos jovens designers, o que originou alguma confusão. Quem lá esteve (como foi o nosso caso) ficou com a nítida sensação de que houve falta de organização em relação a estas três apresentações.
O trio White Tent mantém como linha condutora a manipulação das formas geométricas, na sua moldagem e adaptação ao corpo e a peças de vestuário convencionais.
Uma colecção feminina, em que o neoprene, o plástico, a Lycra, o algodão e a popeline foram pintados de branco, cinzento, preto e vermelho.
Numa outra sala decorreu a apresentação «sui generis» de Lara Torres, que acabou por se tornar um pouco cansativa para quem assistia, dada a lentidão de movimentos dos manequins.
Como se dos bastidores de uma peça de teatro se tratasse, os manequins iam vestindo peças penduradas num
charriot no meio da sala. O algodão, a lã e o linho pintam-se de branco, bege e cinzento e são adornados com látex, porcelana e prata.
Este projecto interdisciplinar, «Mimesis», parte de um trabalho desenvolvido por Lara Torres desde 2005, contou com a colaboração do ceramista Mário Nascimento e da joelheira Catarina Dias.
Dos bastidores da peça de teatro para uma festa
Para o próximo Outono/Inverno, Sara Lamúrias – aforest-design – criou uma colecção constituída por elementos iconográficos do uso da peles de animais no vestuário.
Os manequins surgiram num cenário que fazia lembrar um bar com peças em feltros de lã, algodão e ganga em tons de branco, bege, vermelho raposa, cinzento e preto.
A encerrar a 30ªedição da ModaLisboa, subiram à passerelle as colecções das principais lojas de roupa de Cascais, no âmbito do Cascais Moda, iniciativa que surge pela primeira vez associada à ModaLisboa.
As tendências para a Primavera/Verão de 2008 de 12 lojas – Arrow, Bennetton, Best 4 You, D-modé, Dream Sisters, Façonnable, Lacoste, Loja das Meias, Londoner, Poko Pano, Weill e Zoe – encerraram em beleza o último dia de ModaLisboa|Estoril «30».
Em Outubro há mais ModaLisboa|Estoril, com a apresentação das colecções para a Primavera/Verão 2009. Até lá!


