O escritor português Miguel de Sousa Tavares afirmou na sexta-feira, na Bienal de Brasília, que só não se mudou ainda para o Brasil porque sente um dever «quase patriótico» de não abandonar Portugal durante o atual período de crise.
«Planeava mudar-me na metade deste ano e viver metade do ano no Rio de Janeiro e outra metade em Portugal. Só que Portugal anda tão ruim que eu sinto quase um dever patriótico de não o abandonar», afirmou o autor, em declarações à Agência Brasil.
O escritor, que se disse «fascinado» pelo Brasil, acrescentou que, por enquanto, a sua intenção é ficar e resistir à crise até que Portugal possa «voltar a levantar a cabeça».
MIguel Sousa Tavares, cujos romances foram muito bem recebidos no mercado brasileiro, disse ainda invejar a «inesgotável matéria-prima de inspiração» e as «inacreditáveis histórias» que se passam no Brasil.
«Eu sou filho de um imaginário gasto e cansado, de um continente velho e exaurido que é a Europa», concluiu o escritor.
Tavares participou na 1.ª Bienal do Livro de Brasília, que teve como homenageado o autor nigeriano Wole Soyinka, primeiro negro a receber o prémio Nobel de Literatura.
Esta semana também participaram no evento o autor angolano Ondjaki e a poeta moçambicana Paulina Chiziane.
Lusa


