Sábado, Março 7, 2026
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Mandela: Evocação do ex-presidente inundou a praça do luxo em Joanesburgo

As classes mais ricas da nação sul-africana homenagearam no sábado Nelson Mandela no luxuoso bairro de Sandton, em Joanesburgo, e a loja do prisioneiro mais famoso do mundo aproveitou para fazer promoções.

O negócio correu pelo melhor no Nelson Mandela Square, uma exclusiva zona comercial em Sandton, o bairro de Joanesburgo onde as pessoas podem andar a pé, ou sentarem-se numa esplanada para usarem o computador e o telemóvel sem correrem o risco de ficar sem eles.

Na praça interior do centro comercial, dominada por uma grande estátua de Nelson Mandela, ao estilo norte-coreano, raparigas elegantemente vestidas trocavam flores por fotografias, pagando cerca de 70 rands (cerca de 5 euros) por cada ramo, bem acima do preço a que outros ramos eram vendidos junto das casas de Mandela em Hughton e no Soweto.

«Venho prestar o meu tributo e evocar o legado de Mandela, um homem a quem todos devemos muito», disse à agência Lusa Dikeledi, uma jovem de Joanesburgo, logo afastada por um segurança que impedia as pessoas de ficarem paradas a conversar.

Outras raparigas se aproximavam e pediam aos namorados para fotografarem o momento da deposição das coroas, que se acumulavam diante do Baglio`s Café, do Pappas e do Steakhouse, pejados de clientes a observarem o movimento, ao som de música house.

Os momentos eram igualmente registados pelos muitos fotojornalistas que, sem hipótese de se aproximarem do caixão do líder sul-africano, e da sua enlutada família, cruzam a cidade à procura de qualquer coisa.

«Ele só quer tirar uma fotografia, pega num ramo qualquer», gritou uma mãe para a sua filha, perante a aproximação de um repórter asiático, e mais flores foram colocadas.

«Para já, a princesa Diana leva vantagem», observou alguém, mas em voz baixa, fazendo uma contabilidade mental dos ramos entregues.

A evocação de Mandela, o início das férias de verão e a aproximação do Natal faziam sentir-se no interior do centro comercial, onde marcas de estilistas italianos e franceses competem com relojoeiros suíços e, agora, com a loja 466/64 Fashion.

O nome do estabelecimento evoca o número de prisioneiro atribuído pelo «apartheid» a Mandela em 1964, mas tirando isso, e umas fotografias do antigo líder do ANC, não há ali muito mais para recordar do homem que jaz no Hospital Militar de Pretória, a cerca de 50 quilómetros de Sandton.

A 466/64 Fashion, uma loja «pop-up», está cheia de clientes mas não é barata: um ‘top’ custa 300 rands e uma camisa de homem um pouco mais. As malas para senhora estão com descontos de 25 por cento, mas o seu preço excede os 2.000 rands.

Parte dos lucros, diz um panfleto no estabelecimento, vão para o Nelson Mandela Children Hospital Fund e fica explicada a ligação ao antigo Presidente sul-africano, que morreu na quinta-feira, aos 95 anos.

De volta à praça, uma mulher destoa do ambiente, e assume à Lusa não ter levado flores para Mandela, por não ter dinheiro.

«Estou aqui para lhe prestar o devido respeito», diz Joyce Mishibali.

Lusa

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