O Concerto para trompa e orquestra, de Luís Tinoco, é estreado na sexta-feira, no Rose Theatre, em Memphis, no Tennessee, Estados Unidos da América, no âmbito do 45.º Simpósio Internacional de Trompa, por Abel Pereira, como solista.
Abel Pereira irá ser acompanhado pela orquestra Eroica Ensemble de Memphis, dirigida pelo maestro Michael Gilbert.
Em declarações à Lusa, o compositor Luís Tinoco afirmou que se trata de ¿um concerto num andamento único, com cerca de 13 minutos de duração, escrito para trompa solista e uma orquestra clássica – oito madeiras, seis metais, um timpaneiro e um percussionista”.
¿A inspiração ¿ revelou Tinoco – foi a própria sonoridade da trompa como instrumento, que tem enormes potencialidades tímbricas, dinâmicas e expressivas¿.
¿Tratando-se de um concerto, a peça foi também construída a pensar nas características do solista, Abel Pereira, que bem conheço e com quem pude trabalhar na finalização da partitura, corrigindo, acrescentando ou alterando alguns detalhes, tornando a escrita mais idiomática para o instrumento e para o intérprete em questão¿, acrescentou o compositor.
¿A peça é dedicada ao Abel [Pereira], mas é um concerto escrito ‘In memoriam Adácio Pestana’, um músico elogiado por tantos colegas, maestros e compositores nacionais e internacionais, que infelizmente, não tive o privilégio de conhecer¿.
Relativamente ao músico Adácio Pestana, que tocou, entre outras, na Orquestra Sinfónica Nacional, na Orquestra Gulbenkian e na Nova Filarmonia Portuguesa, Tinoco afirmou que teve ¿o cuidado de recolher informação biográfica, gravações, depoimentos, falar com familiares e ex-colegas que com ele tocaram nas nossas orquestras¿.
¿A pouco e pouco, fui sentindo que estava a descobrir um músico excecional e se, por um lado, não posso dizer que o repertório que celebrizou Adácio Pestana tenha tido influência na escrita do meu concerto, posso, no entanto, confessar que ao perceber a dimensão do músico homenageado, o peso da responsabilidade tornou-se cada vez maior durante o processo de escrita¿, afirmou.
¿O concerto resultou de um desafio do Abel Pereira, que queria estrear um concerto no 45.º Simpósio Internacional de Trompa, no qual se encontra a participar como artista convidado¿, contou Luís Tinoco.
À Lusa o compositor salientou que ¿a coincidência de datas com as homenagens a Adácio Pestana – que têm estado a ser promovidas, e que se prolongarão até 2014, ano que assinala os 10 anos do falecimento – deram origem a uma relação com os familiares do músico e, em particular, da sua filha Elsa Pestana Magalhães, que patrocinou a escrita do concerto¿.
Adácio Pestana foi também professor do Conservatório Nacional, durante décadas, assim como do Conservatório de Setúbal e da Academia de Musica Eborense.
Abel Pereira tem-se apresentado desde 1989 como solista, em vários palcos internacionais, e tocado com diferentes orquestras.
Carlo Maria Giullini, Claudio Abbado, Colin Davis e Mstislav Rostropovich, como regente, são alguns dos maestros com quem colaborou, aos quais se juntam outros solistas como Emanuel Ax ou Barbara Hendricks.
O trompista estreou-se a solo aos 11 anos no Teatro Rivoli, no Porto, foi aluno, entre outros, de Eddy Tauber e Bohdan Sebestik, e é atualmente professor na Escola Profissional de Música de Espinho.
LUSA


