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Jardim completa 35 anos a presidir ao Governo da Madeira

Alberto João Jardim completa este domingo 35 anos à frente do Governo da Madeira, data marcada pela subordinação da região ao programa de ajustamento, pela divisão interna no PSD insular e enquanto decorre uma investigação à alegada ocultação da dívida.

O líder social-democrata madeirense preside ao Governo Regional desde 17 de março de 1978, tendo alcançado sucessivas vitórias eleitorais e maiorias absolutas.

Apesar de ter afirmado sucessivas vezes, desde 1982, que cessaria funções, o presidente do PSD-M tem acabado sempre por recuar e nem mesmo o enfarte miocárdio agudo que sofreu a 08 de janeiro de 2011, que o obrigou a um internamento no Funchal, o afastou da governação.

Nesse mesmo ano, a 09 de outubro de 2011, o carismático líder madeirense conquistou a sua 10ª vitória numas eleições legislativas regionais, a 45ª desde que se submete a sufrágios, alcançando 48,60 por cento dos votos.

Este resultado, o pior de sempre de Jardim, representou uma perda de 20 mil votos em comparação com o ato eleitoral de quatro anos antes, mas permitiu ao PSD-M eleger 25 dos 47 deputados para o parlamento madeirense e Jardim foi escolhido para chefiar o XI Governo da Madeira.

Ao longo dos anos, Jardim tem desempenhado o cargo de chefe de governo sempre em clima de maior ou menor crispação com os executivos da República, quer sejam do PS ou do seu partido, não sendo segredo o difícil relacionamento com o atual primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.

Dos vários objetivos traçados nos últimos anos, o líder madeirense não conseguiu ainda concretizar a revisão constitucional para garantir o aprofundamento da autonomia regional, nem a transição pacífica da liderança do PSD-M.

Aliás, esta última pretensão parece ser cada vez mais complicada, até porque o atual presidente da câmara municipal do Funchal, Miguel Albuquerque, que durante alguns anos foi considerado um dos seus delfins, ousou mesmo desafiar a sua liderança, disputando-a em eleições internas que aconteceram a 03 de novembro de 2012.

Jardim venceu apenas com uma diferença de 142 votos, o que espelha a divisão no partido.

Alberto João Jardim tem hoje 70 anos, está reformado da função pública desde 2005 e enfrenta também as consequências de um programa de ajustamento económico e financeiro que teve de acordar com a República para fazer face a situação de uma dívida pública avaliada em mais de 6.000 ME.

Apesar de justificar até à exaustão que esta situação teve de acontecer para garantir o desenvolvimento do arquipélago, devido às suspeitas de alegada ocultação da dívida, o Procurador-geral mandou instaurar um inquérito, que ainda está a ser desenvolvido pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DCIAP).

O temporal de 20 de fevereiro de 2011, que provocou mais de 40 mortos e prejuízos avaliados em 1.080 ME, incêndios, a queda de uma palmeira num comício no Porto Santo que fez vítimas mortais foram outros episódios que marcaram o presente mandato de Jardim.

«Estou no meu último mandato. Em outubro de 2015 tenho 72 anos e tenho, portanto, que me retirar. Vou tentar até 2015 ter as finanças sustentadas, porque quero deixar obra, mas também quero deixar as finanças arrumadas», declarou recentemente o líder insular.

LUSA

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