A iraniana que ficou quase cega e desfigurada na cara, vítima de um homem que lhe atirou ácido perdoou-lhe no último momento e salvou-o do mesmo destino.
Ameneh Bahrami lutou na justiça para que Majid Movahedi fosse condenado segundo a justiça retributiva incluída na lei islâmica, ou seja a justiça «olho por olho».
No Irão é permitido punir o criminoso com o mesmo método utilizado pelo criminoso contra a vítima.
Segundo a BBC no país é moralmente aceitável punir o criminoso de forma semelhante ao crime cometido.
No momento em que um dos médicos se preparava para aplicar a sentença, Ameneh recuou.
A sentença tinha sido definida em 2008, mas só agora o tribunal decidiu aplicar a pena.
O caso remonta a 2004. Movahedi esperou pela engenheira eletrónica, Ameneh Bahrami, à saída do local de trabalho, numa companhia de engenharia biomédica e pediu-a em casamento.
A mulher não ficou entusiasmada e recusou o pedido. Enfurecido o homem atirou-lhe com ácido na cara deixando Ameneh cega de um olho e desfigurada para o resto da vida.
Em tribunal a vítima pediu sempre um castigo igual ao crime.
Segundo a agência de notícias estatal Isna, o promotor Abbas Jafari Dolatabadi, de Teerão, anunciou o perdão de Bahrami momentos antes da execução da pena:
«Hoje, era suposto dar seguimento ao procedimento que teria lugar na presença de um oftalmologista e de um representante da justiça. Majid Movahedi ia ficar cego quando Ameneh o perdoou».
À Isna, a iraniana disse: «Eu lutei durante sete anos por este veredicto para provar às pessoas que uma pessoa que atira ácido a alguém deve ser punida com qisas (lei da justiça retributiva), mas hoje decidi perdoar-lhe. Fi-lo pelo meu país e também porque todos os outros países estariam de olhos postos na nossa atitude».


