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Início do julgamento de Renato Seabra só depois de 4 de outubro

As declarações iniciais no julgamento do jovem português Renato Seabra, acusado do homicídio do cronista Carlos Castro em Nova Iorque, só deverão ter lugar depois de 04 de outubro, disseram à agência Lusa defesa e acusação.

Segundo o gabinete da procuradora Maxine Rosenthal e o advogado de Defesa David Touger, as duas partes continuam a avaliar potenciais jurados, não tendo escolhido até ao momento qualquer um dos mais de 12 indivíduos necessários.

Depois da sessão de sexta-feira, o caso estará parado na segunda-feira e terça-feira, dado que o juiz, Daniel Fitzgerald, tem um outro julgamento.

Está previsto que o processo de seleção de jurados prossiga na quarta-feira e as declarações iniciais não deverão ter lugar antes de quinta-feira, 04 de outubro, informou o gabinete da procuradora Maxine Rosenthal

Esta semana, o juiz pediu aos potenciais jurados para preencherem questionários e depois dispensou-os até hoje, enquanto as partes reviram as respostas.

Para o julgamento arrancar é necessário que defesa e acusação escolham 12 jurados, mais dois a quatro suplentes.

O processo pode demorar entre poucos dias e até duas semanas, dependendo da facilidade com que são escolhidos os jurados.

A entrega do caso a um novo juiz do Supremo Tribunal de Nova Iorque, Daniel Fitzgerald, implicou uma pausa no andamento para o arranque do julgamento.

O terceiro juiz a ter em mãos o caso manteve na semana passada reuniões com defesa e acusação e tem estado a inteirar-se do processo.

Daniel Fitzgerald recebeu o processo das mãos de Michael Obus, juiz chefe do Supremo do condado de Nova Iorque, que foi responsável pelo processo de Dominique Strauss-Khan, o anterior diretor-geral do Fundo Monetário Internacional.

Charles Solomon, juiz que acompanhou o processo desde o início afastou-se antes da fase de pré-julgamento.

Na última audiência, o juiz Michael Obus considerou válida a confissão de homicídio do cronista Carlos Castro por Renato Seabra, cuja anulação era pedida pela defesa do jovem português.

Depois de ouvir os dois detetives no Supremo Tribunal de Nova Iorque, um deles o lusodescendente Michael de Almeida, que extraíram a confissão, em português, na ala psiquiátrica de um hospital, o juiz considerou que todos os requisitos foram obedecidos.

Após a audiência, o advogado de defesa, David Touger, disse estar tranquilo com a decisão, uma vez que a confissão, em que Seabra diz ter assassinado Castro para o «libertar dos demónios» da homossexualidade, acaba por sustentar a sua tese.

«A declaração dele apoia a sua defesa», disse o advogado à Lusa.

A tese da defesa é de que Seabra não pode ser considerado culpado, por se encontrar num estado de perturbação mental quando cometeu o crime.

O caso remonta a 07 de janeiro de 2011, quando o cadáver de Carlos Castro, de 65 anos, foi encontrado nu, com sinais de agressões violentas e mutilação dos órgãos genitais, no quarto de hotel que partilhava com Renato Seabra, em Manhattan.

O jovem continua na prisão de Rikers Island, por decisão do departamento penal de Nova Iorque, medicado e sujeito a vigilância médica.

Lusa

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