O verão, por ser um período em que as temperaturas estão mais elevadas e há um aumento da transpiração, é propício ao aparecimento de infeções vaginais. Por isso, é importante que as mulheres tenham uma maior atenção à sua higiene íntima diária e que tenham um conjunto de cuidados que ajudam na prevenção destas doenças.
Com o aumento da temperatura nos dias quentes que se aproximam, o corpo aquece (axilas, virilhas e os sulcos infra mamários) e a zona vulvovaginal fica mais húmida e menos arejada, o que leva ao aumento da proliferação de microrganismos que podem desencadear infeções vaginais, nomeadamente os fungos como a candidíase.
A candidíase é, a par da vaginose bacteriana e da tricomoníase, uma das três causas mais frequentemente associadas ao corrimento vaginal. Dados de investigação indicam que 75% das mulheres terá um episódio de candidíase durante a vida e 40 a 45% terão 2 ou mais episódios. Cerca de 20% das mulheres são portadoras assintomáticas e esta percentagem pode atingir os 40% das mulheres durante a gravidez. Trata-se de uma infeção que se manifesta por corrimento vaginal branco, grumoso e espesso, tipo requeijão, inodoro, que forma placas aderentes nas paredes vaginais, vermelhidão, edema e fissuras vulvares. Os sintomas habituais são ardor, prurido vulvar e dispareunia (dor durante as relações sexuais).
Para além da temperatura elevada, outros fatores originam o aparecimento de infeções vulvovaginais, entre os quais, atividade sexual, alimentação, vestuário, ambiente hormonal e estado emocional, hábitos de higiene e doenças como a diabetes.
Para uma prevenção adequada contra as infeções vaginais, há um conjunto de cuidados que devem ser adotados idealmente durante todo o ano:
Higiene íntima: a vulva, a região púbica, a região perianal e os sulcos crurais (raiz das coxas) devem ser higienizados com água corrente tépida. Não deve ser usado gel de banho ou sabonete com perfume uma vez que estes aumentam a irritação da pele. Deverão ser utilizados preferencialmente produtos apropriados para a higiene da zona do ânus e da vulva que sejam hipoalergénicos, com adstringência suave e pH ácido, variando entre 4,2 a 5,6. A higiene genital deve ser feita através de movimentos de frente para trás, que evitem trazer o conteúdo perianal para a região vulvar, e que atinjam todas as dobras sem exceção, não durando mais do que 2 ou 3 minutos para evitar a excessiva desidratação local. Ao secar não se deve esfregar com a toalha, mas sim secar estabelecendo contactos suaves entre a toalha e a pele. A última etapa da higiene é a hidratação. As peles secas deverão ser hidratadas, assim como se faz nas demais áreas do corpo.
Vestuário: recomenda-se o uso de roupas confecionadas com tecidos de fibras naturais como o algodão e com dimensões que favoreçam a ventilação local. Devem evitar-se roupas demasiado justas tais como calças ou roupa interior. Os fatos de banho molhados e o vestuário após o desporto devem ser trocados o mais cedo possível.
Proteção: em geral, o uso constante do penso higiénico diário não é recomendado. Nas mulheres, com excesso de transpiração ou incontinência urinária, é importante manter o ambiente genital seco, recorrendo pontualmente a pensos higiénicos respiráveis que devem ser mudados frequentemente.
Produtos utilizados na lavagem da roupa interior: deve ser dada preferência a detergentes sem corantes, enzimas ou perfumes. A roupa interior e qualquer outra que entrar em contacto com a vulva deve ser enxaguada exaustivamente para a remoção de resíduos químicos.
Atividade sexual: nos casos em que existe secura e irritação durante o ato sexual, deve ser recomendado o uso de um lubrificante sem substâncias químicas que irritam a pele, vulva/vagina. Deve, no entanto, ter-se em atenção que alguns lubrificantes interferem com a permeabilidade dos preservativos, tornando-os menos seguros. Pode ser preferível utilizar preservativo para evitar o contacto do esperma com os genitais, diminuindo o ardor e a irritação após a relação sexual. Após o ato sexual, recomenda-se uma micção para evitar as infeções urinárias e a lavagem da área genital externa com água e um produto de higiene íntima. Não se recomendam irrigações vaginais.
Hidratação: recomenda-se o aumento da ingestão de líquidos, sendo sempre preferível a água. Uma referência para se saber a quantidade ideal de líquidos a ingerir é a observação da cor da urina que deve ser clara e transparente.
Dra Teresa Laginha – APDP – Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal


