O luto, para Inês Barros Baptista, «foi duro, demorado e difícil». No dia 29 de Junho de 1999, a autora tinha 32 anos e o marido, Manuel, a quem sempre tratou por Pyppo, estava prestes a fazer 33. De um momento para o outro, mesmo diante dos seus olhos, Pyppo foi atropelado e morreu.
Para a jornalista, a morte nunca tinha sido «tão implacável, tão definitiva, tão trágica».
De repente, ficou «sem chão, sem abraços, sem companhia» e também «sem as canções que embalavam o sono» dos dois filhos, Francisca e Lucas, então com 5 e 2 anos, respectivamente.
Ficaram as memórias e as cicatrizes da perda que, interiormente, «está resolvida e arrumada». Ao longo do tempo, a autora sentiu necessidade de falar com pessoas que tivessem passado pelo mesmo.
Foi assim que começou a nascer o livro «Morrer é Só Não Ser Visto», recentemente publicado. O título é retirado de um verso de Fernando Pessoa e Inês de Barros Baptista usa-o para retirar o fatalismo que considera estar associado à morte.
Num livro corajoso, a jornalista reúne aquilo a que chama 13 histórias de «lutos positivos». São testemunhos de pessoas anónimas e algumas conhecidas – por exemplo, os escritores Rosa Lobato Faria e José Luís Peixoto – que também perderam entes queridos.
«Sem querer ser pretensiosa», a autora espera que o livro ajude as pessoas a lidarem com a inevitabilidade da morte, dizendo que ela, a morte, não tem de ser necessariamente o fim. Pode mesmo ser o início de outro tipo de «relação», como disse numa conversa desassombrada com a Lux.
Inês de Barros Baptista revelou, por exemplo, que fala com o marido, que a filha mais velha, Francisca, escreve para o pai e que as mais novas, Madalena e Luísa, também o consideram «um bocadinho pai delas».


