Muito habituado à exposição pública e ao preço que a popularidade acarreta, Cláudio Ramos revela-se um homem maduro e indiferente às críticas maldosas com que tantas vezes é confrontado nas redes sociais. “Não me faz diferença nenhuma. Tem tanto valor para mim alguém que diz ‘o Cláudio fez um programa muito bom’ ou ‘um programa muito mau’. Comecei a levar porrada muito cedo, ainda não havia redes sociais, por isso fui criando uma armadura muito grande para me defender destas coisas. As pessoas que estão atrás da internet a destilar ódio e veneno têm uma vida muito triste e frustrante, porque só isso justifica que o vão fazer”, considera. “Há uma frase que ouvi há muito tempo e que acho extraordinária: ‘As pessoas dizem sempre muito mal dos outros, porque se falarem bem ninguém as vai ouvir.’ A mim não me faz muita diferença, nenhuma mesmo!”, completa. Aos 53 anos, o apresentador do “Dois às 10” atravessa agora uma fase mais calma, isto depois de ter vivido um período muito intenso em que teve de conciliar o programa das manhãs com dois reality shows seguidos. “Sem a azáfama de fazer um diário todas as noites e sem trabalhar aos fins de semana, estou seguramente muito mais tranquilo, com uma vida mais leve”, admite, lembrando aquele que foi um capítulo de muita dedicação profissional. “Não me importo de abraçar um desafio, mas naquele caso o que aconteceu foi que abracei dois realities seguidos. Foram seis meses… é muito intenso! Acho que um reality de três ou três meses e meio se aguenta bem, mas fazer manhãs e reality à noite de forma continuada… É possível, não se morre por causa disso, mas alguma coisa começa a falhar na nossa vida pessoal, no lazer ou até na entrega no trabalho.” Desafios que o obrigaram a cumprir uma agenda verdadeiramente frenética e, inevitavelmente, a pôr para segundo plano os seus interesses pessoais. “Acordas todos os dias às seis da manhã, fazes um programa até à uma da tarde, depois às sete voltas para fazer um diário e, ao fim de semana, tens as galas, e eu tive ao sábado e ao domingo… Mesmo que se consiga, acaba por ser fisicamente desgastante. Deixas de ter vida. É uma opção, estás a trabalhar para isso e tens outras compensações, mas não lês, não vais ao teatro, ao cinema, não fazes nada… Estás só focado a trabalhar, e não podemos viver só para trabalhar”, resume. Agora concentrado no “Dois às 10”, que apresenta em dupla com Cristina Ferreira, Cláudio Ramos continua a dar que falar, como aconteceu recentemente quando se gerou expectativa em torno da entrevista a André Ventura, que foi convidado no programa. Mas esta terá sido mais uma alegada polémica criada sem razão, ressalva o apresentador: “Isso também é um mito, eu nunca disse que não entrevistava o André Ventura. Não partilho da ideia política do André Ventura, mas ele é convidado do meu programa e tenho a obrigação de o receber como recebo outra pessoa. Foi uma vez e eu estava de férias, foi a segunda vez e eu estava no meu aniversário, e foi uma terceira e eu estava lá. Eu não ia marcar férias para não entrevistar o André Ventura! Entrevistei, numa conversa supercivilizada, entre duas pessoas que têm pontos de vista diferentes, mas, numa democracia, se nos respeitarmos todos uns aos outros, acho que é perfeitamente normal.”


