O antigo primeiro-ministro e fundador do Expresso Francisco Pinto Balsemão afirmou, esta quarta-feira, que a luta pela liberdade de expressão «nunca está ganha» e que a «tentação de matar o mensageiro nunca desaparecerá».
Na cerimónia em que lhe foi atribuído um doutoramento honoris causa pela Universidade Nova de Lisboa, onde leccionou durante vários anos no curso de Ciências da Comunicação, Francisco Pinto Balsemão recordou, perante o co-protagonista da história, Mário Soares, um episódio dos tempos em que ambos lutaram contra o Estado Novo.
Balsemão recordou a forma como a polícia política do regime, já quando Marcello Caetano tinha assumido a presidência do Conselho, usou um encontro seu com o antigo primeiro ministro e Presidente da República Mário Soares para, com uma carta forjada enviada a Soares e falsamente assinada por Pinto Balsemão, tentar quebrar a ligação entre os dois.
A história foi contada a um auditório repleto de personalidades políticas, entre as quais se encontrava Passos Coelho, o novo líder do partido que Pinto Balsemão ajudou a fundar, e ilustrou uma das principais ideias que o também fundador do semanário Expresso quis transmitir no seu discurso de aceitação do doutoramento honoris causa.
«A luta pela liberdade de expressão, a luta pelo direito a informar e a ser informado, nunca está ganha, nunca acaba, e a tentação de matar o mensageiro nunca desaparecerá», defendeu Pinto Balsemão.
O antigo primeiro ministro defendeu a liberdade de expressão e informação como essencial à existência da democracia e, ainda que não tenha feito qualquer referência ao caso, a declaração acontece numa altura em que uma comissão parlamentar de inquérito procura determinar se houve ou não por parte do Governo uma tentativa de comprar a TVI com o objectivo de controlar a informação do canal privado.
Sobre a distinção que hoje lhe foi atribuída, Pinto Balsemão disse sentir-se «honrado e muito satisfeito» por ser «prestigiante para uma pessoa ver os seus méritos reconhecidos».


