O presidente da Câmara de Lisboa afirmou hoje que a Fundação José Saramago é um «novo centro cultural» aberto «à cidade e ao mundo», tendo como missão a fidelidade ao legado do escritor e à sua «atualização criativa».
No discurso de inauguração da Fundação, na Casa dos Bicos, António Costa afirmou que este projeto, que tem o apoio da autarquia desde 2008, «é um grande motivo de satisfação e de orgulho para a Câmara Municipal de Lisboa».
Lisboa conta a partir de hoje, no «edifício memorável da Casa dos Bicos», com «um espaço aberto a atividades culturais diversas».
«Aqui se dá corpo e alma a um desígnio essencial da cultura, que a torna inseparável da consciência que temos do estado do mundo e da nossa vontade de liberdade e de justiça para todos», sublinhou o autarca.
Para António Costa, «a fidelidade ao legado de José Saramago e à sua atualização criativa são o fundamento e a missão deste novo centro cultural».
«Esse legado tem muitas dimensões e alcances. Nele, é fundamental a atenção à cultura e à língua portuguesas, mas também a promoção de uma cultura universalista, fundada na defesa dos direitos humanos, segundo a matriz da Declaração Universal, e incluindo a defesa do meio ambiente e do futuro da terra», sublinhou.
Por outro lado, disse, «o passado da Casa dos Bicos encontra, a partir de hoje, um futuro que se abre, numa renovação da sua história e do seu simbolismo».
O facto de a fundação ser inaugurada no Dia de Santo António também mereceu algumas palavras do autarca, que foram dirigidas à mulher do escritor, Pilar del Río: «Como sabemos, foi um santo de palavras e sermões, de milagres e prodígios, patrono também de casamentos felizes, como foi o de José e Pilar. Foi, além disso, um santo ubíquo, quase tão ubíquo como Saramago que, sobretudo depois do Nobel, estava ao mesmo tempo em vários lados».
Destacou também o «amor, a dedicação, a fidelidade a uma obra» de Pilar del Río, que se traduziu na «entrega militante e entusiasmada a um projeto, que é da cidade, do país e do mundo».
«Ela é a guardiã da memória e do legado de José Saramago, o qual representa o tesouro emocional, intelectual e espiritual da Casa dos Bicos», comentou.
Para António Costa, esta Fundação «é e será evocação permanente do grande escritor» e um «lugar de descoberta e de redescoberta da sua obra literária».
Sublinhou ainda que o «espírito de abertura, descoberta, procura e solidariedade» do escritor «anima a Fundação José Saramago: Esta é uma casa aberta à cidade e ao mundo, que procura o encontro com os outros».
Sobre o título da exposição inaugural de Fernando Gomez Aguilera, «José Saramago: A Semente e os Frutos», António Costa afirmou que é um «bom lema» para a abertura da Fundação.
«Evocando a memória de José Saramago, sabemos que nada lhe daria mais prazer do que estar hoje aqui connosco. Por isso, o sentimos, como se estivesse vivo, entre nós, com a sua palavra justa, o seu sorriso irónico e o seu gesto fraterno, dirigido ao nosso encontro. Esta casa é, afinal, a retribuição dessa palavra, desse sorriso e desse gesto», concluiu.
Lusa


