O fadista Marco Rodrigues apresenta o seu novo álbum, «EntreTanto», na próxima terça-feira, no Tivoli BBVA, em Lisboa, e no dia seguinte na Casa da Música, no Porto.
«EntreTanto» saiu em Março passado e do alinhamento consta o poema do escritor barroco Francisco Rodrigues Lobo «Coração, olha o que queres», com música de Custódio Castelo.
«O Custódio usou as influências que eu tenho do Alto Minho e o poema é extraordinário, escrito como um jogo, que, em relação às mulheres, nos diz: não as queiras compreender e aceita-as assim, tal como são», disse o fadista, distinguido em 2008 com o Prémio Amália Revelação.
À Lusa, Marco Rodrigues afirmou que os dois espetáculos «vão ser, na essência, a apresentação do novo álbum, mas com passagens por temas que já se tornaram emblemáticos» da sua carreira como «O homem do Saldanha» ou «Valsa das paixões».
O novo álbum, terceiro da carreira do fadista, inclui, entre outros temas, «Sem razão», do repertório de Amália Rodrigues, e «Lisboa às 00:00», de Artur Ribeiro.
«São dois fados que sempre ouvi cantar, nomeadamente no Café Luso, pela minha colega Elsa Laboreiro», disse o fadista, que fez uma ligeira alteração na letra de Fernando Farinha, tornando-a possível de interpretar por um homem.
«Foi algo que fiz com muito cuidado, para não desvirtuar o sentido, nem alterar a métrica», disse.
Se na produção do álbum Marco Rodrigues quis que surgisse «o mais natural possível», tendo «propositadamente deixado de se ouvir as respirações», os concertos irão ser «como estar entre amigos, sem artifícios e com a naturalidade inspirada pela noite».
Entre os autores deste novo CD, o fadista voltou a convidar Tiago Torres da Silva e Inês Pedrosa. De Torres da Silva canta «Que tom é que o fado tem», em que, na mesma melodia tradicional, «se segue a escala natural, começando em lá, depois si, dó, ré, mi, fá e sol».
«Quis trazer este exercício, que é ao mesmo tempo um desafio, demonstrando a evolução natural do fado, pois antigamente a cada fado correspondia um único tom, no qual o fadista tinha de o interpretar, com maior ou menor dificuldade», argumentou.
Tiago Torres da Silva assina ainda «A noite vai, o fado vem», com música de Tiago Machado, e «Quando o fim volta ao início».
De Inês Pedrosa, de quem Marco Rodrigues já defendeu uma canção no Festival RTP da Canção, o CD regista «Amor Real», no Fado Maria Rita.
À Lusa, o fadista de 30 anos afirmou que «o fado fala sempre de amor, quer seja a um rio, à cidade, a uma mulher ou ao próprio fado».
Em Lisboa e no Porto, o fadista, que se acompanha à viola, partilha o palco com Pedro Viana, na guitarra portuguesa, Nelson Aleixo, na viola, e Frederico Gato, na viola baixo.
Do alinhamento dos espetáculos constarão também os fados «Do Chiado ao Bairro Alto», «A Rosa e o Narciso» e «Entre Tanto».
LUSA


