O acordeão que acompanhou a carreira da acordeonista Eugénia Lima, que vai hoje (6) a enterrar em Rio Maior, foi entregue a pedido da artista ao Santuário de Fátima, revelou o Santuário na sua página oficial na Internet.
«Naqueles que foram os últimos dias da sua vida, encontrando-se hospitalizada, Eugénia Lima pediu aos seus familiares que entregassem ao Santuário de Fátima aquele que considerava o seu mais importante acordeão, o que a acompanhara ao longo da sua carreira, em Portugal e no estrangeiro», é divulgado no site.
O instrumento, «que possui uma extraordinária afinação, resultado da mestria do pai da artista», foi entregue, ao início da tarde de 25 de março, ao Santuário de Fátima por uma delegação de cinco pessoas.
A acordeonista Eugénia Lima, de 88 anos, natural de Castelo Branco, morreu na sexta-feira ao final da tarde, na sua residência, em Rio Maior.
Hoje será rezada missa de corpo presente em Rio Maior, seguindo-se o funeral ao final da tarde, disse à Lusa fonte familiar.
Eugénia Lima, filha de um afinador de acordeões, estreou-se aos quatro anos no Cinema-Teatro Vaz Preto, em Castelo Branco. Profissionalmente, a sua estreia data de 1935, no Teatro Variedades, em Lisboa, no elenco da revista «Peixe-Espada».
A acordeonista tornou-se um caso de sucesso e, em 1943, começou a gravar a solo, tendo registado ao longo da carreira, mais de uma dezena de discos em que gravou temas populares, de diversos compositores, versões para acordeão e várias composições de sua autoria.
Em 1947 venceu o concurso de acordeonistas da Emissora Nacional e, em 1956, fundou a Orquestra Típica Albicastrense.
Com a orquestra e a solo, a acordeonista que se tornou popular com temas como «Picadinho da Beira», «Minha vida» e «Fadinho de Silvares», percorreu o país e os palcos internacionais.
Tendo-lhe sido recusada a entrada no Conservatório Nacional de Lisboa, aos 13 anos, aos 55 recebeu o diploma do Curso Superior de Acordeão, na categoria de Professora, pelo Conservatório de Acordeão de Paris.
Em setembro de 1986, foi condecorada pelo Ministério da Cultura com a medalha de Mérito Cultural. Ao longo da carreira somou vários prémios e condecorações, designadamente o Óscar da Imprensa, em 1962, o grau de Dama da Ordem Militar de Sant¿Iago da Espada, em 1980, e o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, em 1995.
O nome da artista figura no Dicionário Mundial de Mulheres Notáveis.
Lusa


