Com a recessão a causar «estragos» na indústria de retalho dos Estados Unidos, os estilistas americanos estão a esforçar-se para criar roupas irresistíveis. O objectivo é que as mulheres ganhem o sentimento de que têm mesmo que possuir aquela peça especial.
No arranque da semana de moda em Nova Iorque, a jornalista da Reuteurs, Jan Paschal elaborou um trabalho exaustivo sobre o estado actual da indústria da moda e chegou a duas conclusões. Os estilistas participantes na fashion week têm que reduzir custos, criar produtos irresistíveis e… mais baratos!
Cerca de 70 estilistas participantes da fashion week de Nova Iorque optaram por tendas gigantes, em Manhattan, para mostrar as novas colecções.
O universo das roupas de autor sente, na pele, a queda de vendas das lojas. Mas a redução drástica no crédito também não é um factor menor. O facto do mês passado ter registado a maior onda de despedimentos nos Estados Unidos, dos últimos 34 anos também não ajudou nada.
«Neste momento, é como estar no meio de um Tsunami» referiu a estilista Diane von Furstenberg, líder do Conselho de Designers de Moda dos EUA. A solução passa por uma maior criatividade e «atractivo» é a palavra-chave para tentar dar a volta à situação.
«É necessário que as mulheres considerem as roupas como fiéis amigas para que estes «amigos» as façam sentir bem cada vez que abrirem o roupeiro¿ refere von Furstenberg.
Para contornar a crise alguns designers estão a optar por apresentar as colecções com custo reduzido, recorrendo a instalações básicas em vez de optar por shows imponentes com custos demasiados elevados.
Um show imponente na semana da moda pode custar entre os 78.000 e 194.000 euros ou mais. Mas se a opção for algo mais modesto, por exemplo uma galeria, o custo decresce drasticamente. E se a opção for mesmo os showrooms das instalações de cada estilista os custos ficam bastante mais reduzidos.
Betsey Johnson, Nary Manivong, Reem Acra, Luca Luca, Joanna Mastroianni, Temperley and Generra são algunas dos estilistas que decidiram optar por apresentações mais simples em vez dos tradicionais shows.
A imaginação é o limite e há estilistas como o caso de Carmen Marc a optar por espaços mais pequenos. A estilista, conhecida por desenhar peças destinadas às celebridades, estima poupar cerca 116.000 euros só pelo simples facto de optar por um show numa discoteca com recurso a apenas duas manequins e uma apresentação em vídeo.
Marc Jacobs é outro estilista a sentir na pele o «apertar do cinto». Reduziu os convidados de 2.000 para 500, transformando os convites ainda mais apetecíveis a uma fatia de «sortudos»
Catherine Malandrino inspira-se nos tempos de recessão para mostrar vestidos de noite no Rainbow Room, um local da noite ligado à arte e decoração.
«Escolhi o Rainbow Room porque é um espaço que nasceu durante a Grande Depressão», referiu Malandrino. O evento vai ter champanhe, romance, glamour e música.
A semana da moda de Nova Iorque acontece duas vezes por ano e injecta qualquer coisa como 601 milhões de euros na economia da cidade de Nova Iorque. É ainda geradora de 175.000 empregos relacionados com a indústria da moda moda.
No entanto, o público já não aparece em peso no evento considerado uma das mais importantes fontes de riqueza da cidade.
Candace Corlett, presidente de empresa de consultoria WSL Strategic Retail refere que está a ocorrer uma correcção dos valores: «Estamos a ouvir consumidores que já não querem saber das roupas de designers».
Fern Mallis da IMG Fashion, empresa gestora da Fashion week de Nova Iorque, referiu a propósito do tema a música dos Bee Gee¿s, chamada «Stayin’Alive» ou seja «Mantermo-nos Vivos».


