“Fernando Lopes foi uma figura central no cinema português, e não apenas como realizador”, afirmou à agência Lusa o crítico de cinema Jorge Leitão Ramos, autor da biografia “Fernando Lopes, um rapaz de Lisboa”, a editar este mês.
A biografia, com selo da Sociedade Portuguesa de Autores e Imprensa Nacional Casa da Moeda, é lançada seis meses depois da morte de Fernando Lopes.
Jorge Leitão Ramos lamenta que Fernando Lopes não tenha lido a sua própria biografia, que estava a ser preparada desde 2008.
De acordo com o autor, crítico do semanário Expresso, a biografia desvenda várias dimensões do percurso de Fernando Lopes no cinema português, atrás das câmaras, assinala a importância na direção de programas da RTP2, na co-produção de programas televisivos ou como presidente do primeiro Centro Português de Cinema.
Apesar de ter nascido em Maçãs de Dona Maria, distrito de Leiria, Fernando Lopes foi um “rapaz de Lisboa”, “fundamental na história do cinema português”, presença assídua dos circuitos culturais da cidade.
Nascido a 28 de dezembro de 1935, Fernando Lopes integrou a equipa inicial de jovens profissionais que fundou a RTP ¿ em cujo quadro técnico ingressou em 1957, ano do início das emissões – e foi diretor do Canal 2 que, pela evidência do seu papel, chegou mesmo a assumir, como designação popular, o nome “Canal Lopes”.
O despertar para a realização aconteceu através do movimento cineclubista, tendo sido sócio do Cineclube Imagem, dirigido por José Ernesto de Sousa.
Bolseiro do Fundo de Cinema Nacional, em 1959, foi estudar para a London School of Film Technic e estagiou na BBC.
“Belarmino”, um dos primeiros filmes, de 1964, é considerado uma das obras primas do realizador e um marco do cinema novo português.
Este é um dos filmes destacados por Jorge Leitão Ramos na biografia, recordando a recetividade que tiveram na época.
Jorge Leitão Ramos descreve esta biografia como uma montagem de muita informação já existente sobre Fernando Lopes, dispersa, por exemplo, pela imprensa portuguesa, reúne ainda fotografias e dados recolhidos de conversas com algumas pessoas que se relacionavam com o realizador.
“Esta biografia não foi feita em cumplicidade com a pessoa biografada, mas tenho pena que o Fernando Lopes – que já conheço há muitos anos – não a tenha lido”, disse o crítico de cinema.
Fernando Lopes morreu a 02 de maio passado, aos 76 anos.
Deixa obras no cinema português como “Uma abelha na chuva” (1972), “Nós por cá todos bem” (1976), “O fio do horizonte” (1993), “O Delfim” (2002) e “Em câmara lenta”, estreado este ano pouco antes da morte.
“Foi sobretudo um realizador amigo de toda a gente, que ajudou muita gente, que queria genuinamente que os outros fossem bons”, elogiou Jorge Leitão Ramos.
“Fernando Lopes, um rapaz de Lisboa”, com 208 páginas, é apresentado na segunda-feira na sede da Sociedade Portuguesa de Autores, em Lisboa.
Jorge Leitão Ramos é crítico de cinema no semanário Expresso e autor do “Dicionário de Cinema Português”, obra de dois volumes que fica agora completa com a edição, no dia 29, de um terceiro, referente aos primórdios da sétima arte nacional, entre 1895 e 1961.
Lusa


