Educar não passa apenas por reconhecer e valorizar os comportamentos adequados, elogiar a criança e torná-la responsável pelos seus actos.
Todas as crianças gostam disso, os pais também, e este é um aspecto fundamental para que determinados comportamentos sejam repetidos e façam naturalmente parte do dia-a-dia da criança.
Educar também não passa apenas por estabelecer regras, impor limites, colocar de castigo ou retirar privilégios quando é preciso. Nenhuma criança gosta disso, os pais também não, mas estas atitudes são muitas vezes necessárias para impedir que determinados comportamentos se repitam e possam deixar de fazer parte do dia-a-dia da criança.
Todas estas medidas são necessárias na dose justa, equilibrada e proporcionada. A criança deve ser estimulada quando se comporta como os pais esperam e repreendida quando o seu comportamento é inaceitável.
Desta forma se molda o comportamento e se permite que a criança adquira, com o tempo, a noção do que é um comportamento aceitável e pretendido pelos seus pais, familiares e amigos.
Mas outras atitudes, ainda mais importantes e para alguns pais mais difíceis, são por vezes esquecidas. Um dos exemplos é a diversão. É fundamental que os pais se divirtam com os seus fi lhos e que as crianças gostem de brincar e rir com eles.
Através do jogo e da diversão, pais e filhos aprendem a gostar de estar um com o outro, passando algum tempo de qualidade, o que proporciona um melhor conhecimento recíproco e estimula o respeito mútuo.
A diversão em conjunto é um aspecto fundamental na educação de qualquer criança. Permite estabelecer uma relação entre pais e filhos a qual, além de valer por si, vai permitir que todos os outros aspectos necessários da educação sejam mais fáceis de utilizar e mais espontaneamente aceites pela criança.
Uma criança que é posta de castigo, por exemplo, aceita esse castigo de forma diferente se reconhecer que o pai e a mãe, que a puseram de castigo, gostam dela, brincam com ela e riem com ela com frequência. É diferente do pai ou da mãe que a colocam de castigo e que, para aquela criança, é a única coisa que sabem fazer, pois nunca passam momentos agradáveis com ela.
Lembro-me vagamente de, em criança, ter estado algumas vezes de castigo, já não sei porquê, mas os meus pais decerto teriam as suas razões, pois não era nenhum anjo. Mas lembro-me como se fosse ontem dos passeios à beira-rio, das idas à praia, dos jogos de cartas e monopólio,
das adivinhas e das anedotas.
Lembro-me de rir na presença dos meus pais e isto fica para
a nossa vida de uma forma muito mais marcada que tudo o resto. É importante escolher as brincadeiras para que ambos (você também!) se divirtam. De preferência, devem ser escolhidas actividades interactivas, como fazer puzzles, jogos de tabuleiro, a prática de algum desporto, explorar um pinhal, jardinar, cozinhar ou qualquer outra actividade que envolva conversar, planear ou atingir objectivos comuns.
Por outras palavras, que seja capaz de fortalecer o relacionamento e tornar mais fácil a comunicação entre pais e filhos. Na entrada do museu da criança em Nova Orleães, Louisiana, está inscrito um texto, de autor anónimo, que diz, mais ou menos, o seguinte: eu tentei educar o meu filho com livros, mas ele olhou para mim desconfiado. Tentei ensiná-lo com palavras, que muitas vezes não foram ouvidas.
Desesperado, gritei para quem pudesse ouvir: «Como devo educar o meu filho?» Na minha mão ele mesmo colocou a resposta: «Vem – disse ele – brinca comigo.» Quando acabar de ler esta revista não se esqueça: vá brincar com os seus filhos.
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