Às 15h, hora local, do dia 11 de março, o Japão tremeu. O sismo de magnitude 9.0 na escala de Richter foi seguido de um devastador tsunami, que trouxe consigo um rasto de destruição e morte que afetou definitivamente o coração daquela potência mundial. Quem sobreviveu está a aprender a adaptar-se a uma nova realidade e ajusta diariamente o olhar a um cenário desolador, onde os corpos caídos e a busca de sobreviventes pautam as horas que teimam em passar devagar.
«Perante a destruição e o horror, a ordem e a disciplina emocional da população japonesa são comoventes. Estive em vários lugares, alguns deles devastados, e não assisti a nenhum ato de histerismo, egoísmo ou violência. Ninguém passa à frente de ninguém, todos parecem aceitar o destino sem lamentar o perdido. Todos tentam olhar para a frente. Todos sabem que isto não acabou e amanhã há mais. Ontem, a Natureza surpreendeu-me. Hoje, foi a população japonesa. Estou muito comovido com a dignidade humana da população em geral», sublinhou Manuel Bruges, jornalista português que vive no Japão.
Com dois filhos, receia que a situação atual piore, principalmente devido aos valores elevados de radioatividade que já se fazem sentir, na sequência dos danos provocados pelo forte sismo na central nuclear de Fukushima. Facto que leva Manuel a querer que os filhos abandonem o país e venham para Portugal.
«Com todos os imprevistos a acontecerem, os planos normalmente só complicam. Mesmo assim, estamos a contemplar a possibilidade de enviar os nossos filhos para Portugal», disse à Lux.
No entanto, o jornalista revela que quer ficar no Japão e já se voluntariou para ajudar a erguer as cidades que ficaram destruídas.
«Não sou herói e estou com medo, mas alguém tem de fazer alguma coisa para ajudar. Se todos pensarmos somente em nós, o que é que será deste mundo?», reiterou.
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