Neste momento, Teyana Taylor está exatamente onde queria estar. A atriz, de 35 anos, vive o ritmo frenético de vários projetos que mostram o seu lado multifacetado. A cantora, que em 2008 lançou o álbum de estreia, quis, mais tarde, tornar-se atriz. As opiniões não foram consensuais: “Toda a gente me dizia que era um disparate. E eu pensava: ‘Não, vou ser uma grande atriz e, um dia, serei uma grande realizadora.’” Acabou por provar que os críticos estavam errados, conseguindo papéis de destaque e o reconhecimento total com a nomeação ao Óscar de Melhor Atriz Secundária, pelo papel de Perfidia Beverly Hills no filme “Batalha atrás de Batalha”. “Ser nomeada ao Óscar é algo que jamais imaginei ser possível. Estou profundamente emocionada, muito grata a cada pessoa que trilhou este caminho comigo e honrada por ser indicada ao lado destas mulheres incríveis na minha categoria. A minha carreira foi repleta de batalhas, dúvidas e momentos de profunda incerteza. Pareceu uma longa luta por espaço, respeito e oportunidades. Porém, hoje, sinto-me como um lembrete gentil de que os sonhos realmente sobrevivem… mesmo quando a jornada é difícil. Agora, sinto-me como se o universo dissesse um ‘sim’ suave e lindo. E como costumo dizer, a espera não foi um castigo, foi uma preparação para o que já estava escrito.” Para Teyana, a nomeação por si só foi recebida como uma vitória. “Mesmo que volte para casa de mãos vazias, já terei vencido”, disse destacando que está muito feliz por viver este reconhecimento ao lado do “melhor amigo da temporada de prémios”, o também nomeado Jacob Elordi, e não esquecendo as outras atrizes com quem compete. ”Somos jovens, somos abençoadas, estamos a ser celebradas. Este é o momento de sermos felizes e de nos divertirmos, especialmente num meio em que algumas pessoas se levam tão a sério, umas são frias e outras são robóticas.” Além de brilhar também na série “All’s Fair”, ao lado de Kim Kardashian, Sarah Paulson, Glenn Close, Naomi Watts, Taylor quebrou um hiato de cinco anos para regressar à música. “Escape Room” garantiu-lhe uma nomeação ao Grammy 2026, na categoria Melhor Álbum de R&B. “Gravei este álbum nos meus termos. Este é o trabalho mais vulnerável que já fiz, a minha editora deu-me muito apoio e liberdade para isso. Às vezes, precisamos simplesmente de sacudir as estruturas. Algumas pessoas acreditaram, outras não, na visão que eu tinha, e isso motivou-me ainda mais. Eu seria a mesma Inez se não tivesse passado por isso? Seria a mesma Perfidia? Seria a artista criativa que sou hoje se não tivesse passado por esta pausa? Quando se tem um artista que faz de tudo, há que deixá-lo expandir os horizontes. Nunca se prende um artista”, disse em entrevista à revista People. A música chegou cedo à vida de Teyana Taylor, que há muito estava preparada para os holofotes. Quando Beyoncé quis aprender a icónica dança nova-iorquina Chicken Noodle Soup, chamou Taylor, então com 15 anos, que mais tarde ajudaria a coreografar o videoclipe de “Ring the Alarm” da cantora. Um ano depois, já tinha contrato com a Star Trak Enterprises de Pharrell Williams e, em 2016, participou no videoclipe de “Fade”, de Kanye West. Na última década, Teyana amadureceu, não só nas decisões que tomou artisticamente como a nível pessoal. Em 2016, a atriz casou-se com o antigo jogador da NBA Iman Shumpert. O casal tem duas filhas, Iman, de 10 anos, e Rue Rose, de 5. Em 2023, separaram-se e Teyana pediu o divórcio alegando tratamento cruel, abuso emocional e comportamento narcisista. Acusou o ex-marido de ter ciúmes da sua fama e inseguranças. Shumpert pediu que o motivo do divórcio fosse alterado para “diferenças irreconciliáveis”, negando os abusos. Após várias acusações de ambos os lados, o divórcio foi finalizado em 2024, com o ex-casal decidido a fazer prevalecer o bem-estar das filhas. Sobre a maternidade, a cantora disse à revista InStyle que a chegada das filhas a fez repensar prioridades: “A minha dedicação é diferente, a minha luta é diferente. A minha tolerância é diferente, o que estou disposta a aceitar e o que não estou também. A maternidade foi o que me fez começar a dedicar mais a outras coisas que amo fazer e também a ajudar outras pessoas.” A atriz falou também do quanto as gestações das duas filhas foram difíceis, bem como os meses que se seguiram aos partos. “As minhas duas gestações foram incrivelmente difíceis, porque tive colestase, uma doença hepática rara que causa a acumulação de bílis na corrente sanguínea e pode levar a partos prematuros ou a nados mortos”, explicou Teyana à revista EBONY. E referiu: “Essa é a razão pela qual as minhas filhas nasceram ambas um mês antes do previsto. A gravidez, em geral, submete o corpo a muito stress. Ser mãe por si só já é muito stressante. Embora as pessoas me admirem por manter a minha carreira e ainda ser mãe, não é nada fácil. Lutei muitos anos contra a depressão pós-parto. Fazer tournées com duas crianças e shows de 90 minutos noite após noite, além de encontros com fãs em seguida, pode levar o corpo de qualquer pessoa ao colapso. Foi simplesmente o que aconteceu comigo.” Esta foi uma das razões pela qual Teyana fez uma pausa na música. Em 2021, durante as gravações de “We Got Love”, um reality show que acompanhava a sua vida, do então marido e das filhas, Teyana Taylor foi levada para o hospital para uma cirurgia de emergência. “Encontraram pequenos nódulos na mama que, felizmente, não eram cancerígenos. No entanto, o medo do cancro e a ideia de as minhas filhas não me terem por perto, foi um dos meus maiores medos.” No ano passado, a atriz e cantora foi diagnosticada com um tumor benigno nas cordas vocais, que exigiu uma cirurgia imediata, o que a levou a interromper as aparições públicas para se recuperar, embora o seu álbum “The Escape Room” tenha sido lançado conforme planeado. “Sinto muita gratidão por ver todas as minhas orações atendidas e todas as minhas lágrimas secas”, disse em forma de balanço após uns anos mais difíceis. A atriz, que vem tentando quebrar barreiras ao longo dos tempos, assume que as pedras no caminho não chegam para a quebrar ou travar. Numa indústria que pode ser esmagadora, Teyana reflete sobre a dificuldade de ser uma mulher negra em Hollywood: “Bem, a parte mais difícil é ser mulher em Hollywood. A parte ainda mais difícil é ser uma mulher negra em Hollywood, porque sinto que este é um mundo dominado por homens. E nós precisamos mostrar quem somos como mulheres para sermos respeitadas nesse espaço. Vejo mudanças a acontecer. Vejo mais visibilidade para as mulheres, e acho que é porque estamos a abrir caminho sem pedir desculpas por sermos nós mesmas. Não estamos a dar escolha: têm de nos ver e nos ouvir, se não o fizerem, faremos com que o façam. Ver mulheres a conquistar o seu espaço e a impor-se com confiança tem sido incrível. Estamos realmente a abrir caminho com força, e é isso que amo em ser mulher em Hollywood. Nós faremos com que nos oiçam.


