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Chico Buarque e Fernanda Montenegro em canção-protesto: ‘Manifestação’

A Amnistia Internacional reuniu artistas brasileiros como Chico Buarque e Fernanda Montenegro para assinalar os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948). O resultado é a “canção-protesto” Manifestação,  que se insurge contra a violência, o racismo, o machismo e a homofobia. A gravação também contou com as atrizes Camila Pitanga, Fernanda Montenegro, Letícia Sabatella e Roberta Estrela D’Alva. A letra é de Carlos Rennó e a música de Russo Passapusso, Rincon Sapiência e Xuxa Levy. Veja aqui o videoclipe: ‘Manifestação’ Aqui estamos na avenida Pelas ruas, pela vida Marchando com o cortejo Que flui horizontalmente Manifestando o desejo De uma cidade includente   E uma nação cidadã Traduzido numa canção Numa sentença, num mantra Num grito ou numa oração   Por todo jovem negro que é caçado Pela polícia na periferia Por todo pobre criminalizado Só por ser pobre, por pobrefobia Por todo povo índio que é expulso Da sua terra por um ruralista Pela mulher que é vítima do impulso Covarde e violento de um machista   Por todo irmão do Senegal, de Angola E lá do Congo aqui refugiado Pelo menor de idade sem escola A se formar no crime condenado Por todo professor da rede pública Mal pago e maltratado pelo Estado Pelo mendigo roto em cada súplica Por todo casal gay discriminado   E proclamamos que não se exclua ninguém Senão a exclusão   Aqui estamos nós de volta Sob o signo da revolta Por uma vida mais digna E por um mundo mais justo Com quem já não se resigna E se opõe sem nenhum susto   A uma classe dominante Hostil à população Numa ação dignificante Que nasce da indignação   Por todo homem algemado ao poste Tal qual seu ancestral posto no tronco E o jovem que protesta até que o prostre O tiro besta de um PM bronco   Por todo morador de rua, sem saída Tratado como lixo sob a ponte Por toda a vida que foi destruída Em Mariana ou no Xingu, por Belo Monte   Por toda vítima de cada enchente De cada seca dura e duradoura Por todo escravo ou seu equivalente Pela criança que labuta na lavoura   Por todo pai ou mãe de santo atacada Por quem exclui quem crê num outro deus Por toda mãe guerreira, abandonada Que cria sem o pai os filhos seus   E proclamamos que não se exclua ninguém Senão a exclusão   Eis aqui a face escrota De um modelo que se esgota Policiais não defendem Políticos não contentam Uns nos agridem ou prendem Outros não nos representam   E aquele que não é títere E é rebelde coração Vai no Face, no zap e Twitter E combina um ato ou ação   Por todo defensor da natureza E todo ambientalista ameaçado E cada vítima de bullying indefesa E cada transexual crucificado E cada puta, cada travesti E cada louco e cada craqueiro E cada imigrante do Haiti E cada quilombola e beiradeiro   Pelo trabalhador sem moradia Pelo sem-terra e pelo sem-trabalho Pelos que passam séculos ao dia Em conduções que cansam pra caralho Pela empregada que batalha, e como Tal como no Sudeste o nordestino E a órfã sem pais hetero nem homo E a morta num aborto clandestino   Impelidos pelos ventos Dos acontecimentos Louvamos os mais diversos Movimentos libertários Numa cascata de versos Sociais e solidários   Duma canção de protesto Qual ‘Canção de Redenção’ Uma canção-manifesto Canção ‘Manifestação’   Por todo ser humano ou animal Tratado com desumanimaldade Por todo ser da mata ou vegetal Que já foi abatido ou inda há de Por toda pobre mãe de um inocente Executado em noite de chacina   Por todo preso preso injustamente Ou onde preso e preso se assassina Pelo ativista de direitos perseguido E o policial fodido igual quem ele algema   Pelo neguinho da favela inibido De frequentar a praia de Ipanema E pelo pobre que na dor padece De amor, de solidão ou de doença   E as presas da opressão de toda espécie E todo aquele em quem ninguém mais pensa   E proclamamos que não se exclua ninguém Nem nada, senão a exclusão   Dando à vida e à alma grande Um sentido que as expande Cantamos em consonância Com os que sofrem ofensa Violência, intolerância Racismo, indiferença   As Cláudias e Marielles Rafaeis e Amarildos Da imensa legião De excluídos do Brasil Sul ao norte da nação   E proclamamos que não se exclua Ninguém senão a exclusão.

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