Na primeira sessão de julgamento do Caso Rui Pedro, Afonso Dias, acusado do rapto da criança, interrompeu o depoimento de Filomena Teixeira, avança a Lusa.
Não foi claro o que o arguido, de pé, disse à mãe de Rui Pedro, da qual se aproximou, mas percebeu-se que a abordagem não foi ofensiva nem agressiva. O arguido disse jurar em nome do seu filho, não tendo sido depois percetível o resto da frase, onde se ouviu também uma alusão a Rui Pedro.
Afonso Dias foi imediatamente interpelado pela juíza, que ordenou que se afastasse e calasse, dizendo-lhe que não permitiria que tal se voltasse a repetir.
Este momento marcou a primeira sessão de julgamento do homem de 35 anos acusado do rapto de Rui Pedro, então com 11 anos de idade, alegadamente praticado no dia 4 de março de 1998.
Filomena Teixeira confirmou, no essencial a versão da acusação, admitindo que Rui Pedro e Afonso Dias tinham uma boa relação de amizade, apesar da diferença de 10 anos entre os dois e que o arguido frequentava pontualmente a casa da família e a escola de condução de que são proprietários.
Disse também que nunca vira «nada de mal» em Afonso, até porque o considerava «muito infantil».
Filomena Teixeira revelou que o filho lhe tinha pedido, nesse dia, ao princípio da tarde, para dar uma volta de carro com Afonso, mas a assistente garantiu em audiência que não deu autorização, o que provocou algum descontentamento à criança.
Algumas horas depois deu pela falta de Rui Pedro, porque esta não comparecera à sessão de explicação que estava marcada para o fim da tarde.
A assistente disse ao tribunal que ficou a saber através de um sobrinho de nome André que o filho saíra com Afonso de carro para ir ter com uma prostituta.
Este garantira aos pais de Rui Pedro que Afonso os convidara para ir a uma prostituta naquele dia.
O pai da criança, Manuel Mendonça, também falou em audiência, onde disse que nunca gostou da relação que Afonso mantinha com o filho devido à grande diferença de idade, e que por diversas vezes o tinha transmitido à sua mulher.
Manuel Mendonça disse ao tribunal que no dia do desaparecimento da criança, o arguido lhe garantiu que vira Rui Pedro pela última vez num descampado onde foi encontrada a sua bicicleta.
Na próxima sessão, marcada para o dia 22 de novembro, vai ser ouvido André, primo da criança desaparecida.
O tribunal também ouvirá, como testemunhas, as crianças, hoje adultos, que disseram ter visto Rui Pedro entrar para o carro de Afonso, junto à então escola preparatória da vila, no dia do desaparecimento.
Neste processo Afonso Dias responde por um crime de rapto qualificado, por ter, na tese do Ministério Público, aliciado e levado Rui Pedro para um encontro com um prostituta, em Lustosa, Lousada, após o qual nunca mais foi vista a criança.
Nesta primeira sessão de julgamento, o arguido disse não querer, para já, falar ao tribunal.


