Domingo, Janeiro 18, 2026
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Carmen Dolores diz que «gostava muito de ter sido escritora»

Apesar de já ter escrito dois livros, a atriz Carmen Dolores não se vê como uma escritora, mas, confessa que, desde criança, sempre sentiu por eles «um grande fascínio e atração», porque emanam uma «grande magia».

Estreante no Correntes d¿ Escritas, que terminou no sábado na Póvoa de Varzim, esta mulher, filha de um jornalista, confessou à Lusa que «gostava muito de ter sido escritora», até porque começou a escrever e a ler desde muito cedo.

Aos 13 anos leu Dostoiévski e, um ano antes, já tinha escrito um soneto «para colocar na campa quando morresse», e apesar de já o ter rasgado, tem outros escritos que se transformaram em dois livros de memórias: «retrato inacabado» e «no palco da memória».

Este processo de transformar o que viveu e sentiu em palavras, não é mais do que um «prazer», sendo que não o considera como um ato dramático, porque não escreve por obrigação, mas porque se sente «mais feliz» quando o faz.

Esta atração pelas letras, herdada pelo pai, não foi suficiente para ter sido escritora até porque, se calhar, «não tinha habilidade para tal», disse a sorrir.

Mas sempre escreveu, sobretudo quando «era muito tímida», só que agora perdeu a vergonha e, por isso, motivada pelo escritor José Carlos Vasconcelos, deu a conhecer um pouco da sua vida e de si, referiu.

Para além de ter crescido rodeada de livros, Carmen Dolores sempre viveu perto de atores e via-os como «pessoas, nunca como ídolos», contou à Lusa, esta mulher que também é uma apaixonada pela rádio, sobretudo «pela voz» que é algo que, desde sempre, considerou «muito importante».

E é precisamente da poesia, «lida em voz alta», que Carmen Dolores sente saudades. A poesia está «muito abandonada», o que «é uma pena porque ajuda a comunicar melhor», sublinhou.

Apesar desta consideração, afirma não ser uma pessoa saudosista, porque não «sofre» com o que já passou e o que sente «é saudável».

Carmen Dolores, que ao longo da entrevista teima em dizer que é «uma mulher antiga», vai olhando para trás, só que, quando o faz, é com «um sorriso», algo que valoriza muito, porque «quando era rapariga, era demasiado tímida e não sabia sorrir», mas hoje, e quem sabe para se vingar, fá-lo permanentemente, porque a «ajuda a viver».

A também escritora, que não se considera como tal, é uma mulher feliz, no entanto, «preocupada com o futuro, sobretudo dos jovens que têm poucas perspetivas», por isso, acredita que viveu no tempo certo.

Gosta de ser portuguesa e faz questão de dizer que «não somos coitadinhos, nem os últimos da Europa», mas, e perante a atual conjuntura, prefere «nem ouvir notícias», porque sofre do estômago.

Aliás, «se mandasse a primeira coisa que fazia era mudar a hora dos noticiários», onde «se explora o pior e o mau e quando há algo de bom fala-se
en passant, para não ficar muito na memória», apontou.

Apesar de não ter projetos para o futuro, sabe que quer «continuar a aprender» e a aperfeiçoar-se, através de tudo o que a rodeia.

Quem fala com Carmen Dolores percebe que é uma mulher calma e apaziguadora, quase sem tristezas.

A única que deixa fugir no olhar, é a perda do marido ocorrida há dois anos. Ficou sem o companheiro de uma vida, que caminhou ao seu lado «durante mais de 60 anos».

Só que a força interior que carrega leva-a a «não fazer dessa tristeza nenhuma tragédia», até porque se sente compensada pelo «filho maravilhoso» que veio com ela nesta viagem até à Póvoa de Varzim e pela sobrinha que vê «como uma filha».

LUSA

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