«Símbolo» do Alentejo e «antídoto» contra o frio, o capote alentejano está a ser reinventado por uma empresa de Évora, que lhe introduziu cores garridas e materiais mais leves, para o colocar «na moda» e conquistar o universo feminino.
«Este é um projeto que pretende trazer o capote alentejano para a rua e introduzi-lo no universo da moda feminina», explica à agência Lusa Delfina Marques, uma das duas criadoras da nova peça.
Ao seu lado, a sua sócia Florbela Nunes sublinha à Lusa que o objetivo foi mesmo «fazer do capote um casaco ¿fashion¿ (adaptado às tendências da moda)».
Agasalho típico do Alentejo, que servia outrora para «matar» o frio nos campos, o capote ainda hoje é usado por muitos. Com o passar do tempo, atraiu um público mais vasto e tornou-se unissexo, embora se mantenha mais na esfera masculina.
Para estas duas amigas de Évora, que há muito sonhavam com um projeto criativo comum, a ideia de dar um toque mais feminino ao pesado capote surgiu «num dia frio de janeiro», durante um almoço, e foi o pretexto ideal para «unirem esforços».
Após uma fase de estudo e investigação, para conhecerem os «segredos» da confeção desta capa, passaram das palavras aos atos e, há dois meses, «nasceu» a Capote`s Emotion.
A empresa ainda dá os «primeiros passos», mas os capotes, executados com mestria por uma costureira de Évora, estão a sair às dezenas, sendo vendidos através da Internet (www.capotes.pt) e em lojas no Alentejo e Lisboa.
«Temos vendido a pessoas daqui, mas também para Viseu e para o Porto» e alguns exemplares seguiram até para «o Canadá e Londres», na Inglaterra, conta Florbela.
Ao substituírem o típico burel com que o capote é feito por lã, as criadoras deram-lhe leveza e, apesar de manterem a traça, também tiraram volume à peça.
«Recorremos a materiais nacionais, a lã, a seda e cetim, que utilizamos para forrar, e a peles naturais de borrego», para a gola, realça Delfina.
Mas são as cores garridas que «saltam à vista» primeiro. A coleção inaugural, além de um modelo infantil, inclui capas femininas em oito cores, que remetem para emoções ligadas à região.
«O rosa tinha a ver com a romã e a alvorada no Alentejo e o verde com a azeitona e o amor pela terra», diz Florbela, ao relatar o processo de escolha das cores.
Os restantes modelos são «Luar de janeiro» (preto), «Açafrão» (amarelo torrado), «Sigo o Sul» (vermelho), «Vicentino» (azul), «Vento Suão» (castanho) e «Emotion» (tecido com padrões).
Para o próximo ano, os planos já estão em marcha, para lançar novas cores e criar novos produtos, nomeadamente um capote masculino e as tradicionais samarras, que Delfina e Florbela querem também reinventar.
Para já, o capote feminino parece ser uma aposta ganha, até porque está a conquistar várias faixas etárias.
«Há muitas raparigas que gostam e têm comprado, há o público dos 30 e 40 anos, de pessoas já maduras, que também tem aderido ao projeto. E, depois, há pessoas mais velhas que se identificam muito com a peça e que compram», afiança Florbela.
E, no que toca a este agasalho, a identidade é mesmo um fator-chave, reforça Delfina: «O capote é algo que é usado por quem tem com ele uma relação afetiva. Tem de se perceber o capote e entender o que representa. Não é um casaco qualquer, é um capote alentejano. Tem uma alma».
Lusa

