Este ano assinalam-se os 200 anos da morte de Dona Maria I, conhecida como D.Maria Pia (em Portugal) e como D.Maria a Louca (no Brasil). A rainha, falecida no Rio de Janeiro na sequência da mudança da corte portuguesa para o Brasil, está agora de regresso a “casa”.
Depois do sucesso no Brasil, onde foi aliás, a vencedora do prestigiado galardão Prémio Qualidade Brasil na categoria de melhor atriz de Drama, a peça da autoria de Sérgio Roveri, “Palavra de Rainha” chega finalmente a Portugal.
O espetáculo Palavra de Rainha, marca assim o retorno da atriz Lu Grimaldi aos palcos e estreia este Verão em Portugal no Palácio que serviu de residência à própria rainha e de onde partiu – a contra-gosto – para o Brasil.
Com uma temporada no Palácio de Queluz, a peça estará em cena nos dias 8, 9, 10, 15, 16 e 17 de julho. Sextas e sábados às 21h30 e domingos às 18h30. Baseada na vida da rainha portuguesa D. Maria I, conhecida em Portugal como a Piedosa e, no Brasil, como a Louca, “Palavra de Rainha” é a vigésima peça de Sergio Roveri a ser encenada e a terceira direção de Mika Lins.
A escolha da personagem partiu da atriz Lu Grimaldi. Durante uma visita a Portugal, há dois anos, a atriz descobriu em D. Maria muito do que procurava encenar neste seu retorno aos palcos: conflitos individuais de uma mulher, uma história pontuada por tragédias e dualidades como poder e religiosidade, loucura e dor, consciência e delírio.
Lu Grimaldi soma sucessos na televisão nas novelas da Globo como “Terra Nostra”, “A Padroeira”, “Malhação” e “Sinhá Moça” entre tantos outros sucessos da gigante TV Globo. Vimo-la recentemente na SIC na novela Babilónia e atualmente faz uma participação como a própria D. Maria I na novela “Liberdade, Liberdade” da TV Globo.
O dramaturgo Sergio Roveri, que este ano recebeu sua terceira indicação ao Prêmio Shell de melhor autor, foi convidado para escrever o texto sobre esta mulher com quem a história foi tão pouco generosa. Como ele mesmo enfatiza, dela só guardava duas informações antes de iniciar suas pesquisas: que era mãe de Dom João VI e que era louca. “Depois de ler quatro biografias de Dona Maria, me vi diante de um personagem trágico e complexo, que poderia perfeitamente ter sido talhado pela mente de um Shakespeare, de um Eurípides”, diz. “Mas Dona Maria foi talhada pela vida, o que dá uma dimensão assustadoramente real às suas dores, seus dilemas e seus poucos e pequenos prazeres”, acrescenta Roveri. Contando a história da rainha através de seus devaneios, o espetáculo desconstrói o estereótipo da personagem. A direção de Mika Lins conduz com delicadeza a rainha pela sua trajetória até ao trono, a dor de perder os filhos para a varíola, as dificuldades deixadas por seu pai e os primeiros sinais de loucura.
A primeira leitura da peça foi feita em Lisboa, no Museu da Electricidade em 2014, e – de imediato – as reacções do público, fizeram com que Portugal fosse uma aposta clara para uma primeira digressão internacional de “Palavra de Rainha”. Sinopse: “Palavra de Rainha” é um monólogo baseado na vida de D. Maria I, conhecida como a Rainha Louca no Brasil e como a Piedosa em Portugal.
A história decorre em três momentos distintos: os anos que a monarca passou reclusa no Palácio de Queluz – para onde foi enviada após as primeiras manifestações da loucura – a fuga da Família Real Portuguesa para o Brasil no final de 1807 e, finalmente, os seus últimos anos de vida, num convento das carmelitas no Rio de Janeiro.

