Com o lançamento de “Bridget Jones: Mad About the Boy”, o quarto da saga, Renée Zellweger volta a vestir a pele de uma personagem muito acarinhada pelos espetadores. 24 anos depois do primeiro filme, a atriz cresceu e amadureceu, tal como Bridget: “É algo realmente incomum para o público, crescer com uma personagem e ter experiências compartilhadas em diferentes fases da sua vida”, diz Zellweger à revista C. “No início, falava para uma geração jovem no meio daquela experiência de tentar determinar como seria o resto da sua vida, e a enfrentar escolhas grandes e pesadas, sempre a sentir que não era boa o suficiente, corrigindo-se a si mesma e tentando apaziguar as pessoas de quem procurava a validação.” E num ano que a nível cinematográfico incluiu “The Last Showgirl”, “A Substância”, ou “Babygirl”, três filmes que contemplam as pressões e os desejos de mulheres de meia-idade, Bridget Jones, tal como Renée Zellweger está numa fase mais adulta da vida, sem no entanto deixar de celebrar o espírito confuso da sua personagem. Aos 55 anos, a atriz, vencedora de dois Óscares, afirma: “Aos 50, a vida é simultaneamente mais e menos complicada. Perdem-se pessoas, as coisas não acontecem da forma como esperávamos. Nesta idade, temos outro entendimento da vida, por causa das suas inevitabilidades, do que oferece e do que não oferece. Com o tempo, vamos aprendendo. Espero ser um pouco mais sábia hoje. Definitivamente, sou melhor com limites e em reconhecer o que é importante. E tenho uma melhor compreensão do que me faz feliz.” Zellweger vive perto de Laguna Beach com o namorado, o apresentador de televisão Ant Anstead, e o filho dele, de 5 anos. A atriz confessa que os holofotes de Hollywood nunca a fascinaram: “Nunca existi realmente na órbita de Hollywood. Quando vim do Texas para Los Angeles e vivi em Hollywood, a minha vida era muito simples. Nunca foi realmente uma altura em que convivesse muito”, diz a atriz. E confessa preferir uma vida mais calma: “Vivo uma vida tranquila. É mais fácil fazer isso agora.” Os filmes de “Bridget Jones”, embora nunca explicitamente políticos, sempre foram um espelho da cultura. Para os fazer, Zellweger engordou mais de 10 quilos para interpretar o papel pela primeira vez. A sua personagem inspirou uma conversa coletiva sobre peso e a tirania da perfeição. “Era franco sobre as imperfeições”, diz Zellweger. “Mas Bridget prospera de qualquer maneira, e fica com o rapaz de qualquer maneira. E isso tornou o ‘ser menos que perfeito’ aceitável.” Zellweger escolheu evitar as redes sociais o que a ajudou a encontrar alguma calma, mas gosta de estar informada: ”Leio muito notícias, de todo o espectro, dos padrões aos patetas, do local ao internacional. Procuro a sabedoria, e a sabedoria mais valiosa que encontrei foi: seja pequeno. Olhe para a sua comunidade. É tão difícil encontrar consenso numa nação tão enorme e povoada por tantos tipos diferentes de pessoas a passar por lutas tão diferentes. Outra coisa que estou a fazer é tentar não ter opiniões sobre coisas que não preciso. Eu realmente tenho que limpar cocó de cão e garantir que o Chester [um dos seus cães mais velhos foi operado e está a aprender a deslocar-se numa cadeira de rodas] tem o que precisa, e não preciso de perder tempo a tentar decidir como me sinto sobre algo que não me diz respeito. Acho que todos estaríamos muito melhor se tivéssemos menos opiniões. Não preciso ter uma opinião sobre a culpa ou inocência de uma pessoa se não sou júri, ou sobre quem as pessoas amam, ou se devem ser pais ou se devem usar vestidos, se é isso que as faz felizes. As coisas não têm de ser uma afronta, nem sempre se fazem para insultar as crenças dos outros.”

