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Almirante Gouveia e Melo dá a conhecer as suas convicções em apresentação de livro

“Como ex militar e dada a minha formação não gosto de fugir de nenhum desafio, acho que os desafios são importantes”. Foi com este pensamento que Almirante Gouveia e Melo apresentou no dia 17 de março, a obra «Os Políticos São Todos Iguais», do jornalista Gustavo Sampaio, num evento público, na sala de Âmbito Cultural do El Corte Inglés, definindo o livro como “um verdadeiro intérprete do que é o populismo moderno e como tal é uma viso à navegação, deve ser ser lido por todos os que estão preocupados com este fenómeno, um bom antídoto para determinado tipo de ideias”. Gouveia e Melo, que terminou o mandato enquanto chefe da Marinha no dia 27 de dezembro preparando assim o caminho para a candidatura a Belém, tema que atira para depois destas legislativas antecipadas, não fugiu ao repto do jornalista que lhe deixa uma interrogação no livro face ao populismo, explicitando de forma assertiva a diferença entre autoridade e autoritarismo: “Já não tenho farda. Apresento-me sem fralda. A certa altura do meu percurso eu usava farda e alguém propagou a ideia de que eu era autoritário e sendo autoritário era necessariamente de direita e, sendo de direita, era necessariamente um populista. A minha resposta a essa “acusação” é que enquanto militar só seria autoritário quando o tempo, a necessidade ou a urgência o exigissem porque nós somos muito hierarquizados mas que a nossa verdadeira autoridade que foi usada, por exemplo, no processo de vacinação é uma autoridade consentida e isso é o verdadeiro sentido da autoridade. As pessoas aceitam a autoridade porque essa ordem, neste caso a ordem democrática, confere capacidade ao grupo para atingir determinado objetivo”. Debatendo o tema das elites políticas e respondendo assim aos que o veem como um “outsider” na política, o Almirante frisou: “Há que ter cuidado com a ideia de que na política só políticos “experientes” ou de carreira podem fazer politica, porque isso é a negação da abertura de um sistema que deve ser aberto para incorporar, não só conhecimento, como ideias diversas. Se um sistema se desenvolve dentro de uma elite, uma aristocracia, essa oligarquia com o tempo vai-se fechando, vai cristalizando e temos uma autocracia. É natural que pessoas que vêm de fora do sistema político tradicional sejam acolhidas o sistema político, isso faz bem à democracia! Não significa que um pedreiro não possa ser politico, se não diríamos: ‘então só os advogados é que podem ser políticos?’ ‘Ou só indivíduos que andaram a colar cartazes desde a sua juventude é que podem ser políticos?’ Não, a política é uma coisa aberta, vem do conceito de pólis, que é do interesse de todos nós. Não significa que ao ser uma pessoa que se dedique ao interesse dos outros tenho o dom da verdade, o dom da omnisciência, que consegue perceber tudo, não, é só mais uma voz no meio de um conjunto de vozes e é nesse conjunto de vozes que está verdadeiramente a diversidade e a força da democracia”, declarou acrescentando que “essa diversidade não pode ter castas”. Numa apresentação que correu os conceitos de populismo e enunciando a sua preocupação com os mesmos, Gouveia e Melo distanciou-se desse tipo de política: “Eu mesmo estive a verificar se cumpria esses requisitos, para não ficar preocupado comigo próprio. Eu li com atenção, o livro deixa interrogação no meu nome. É legitimo, mas devo dizer que a maior parte dos ditadores autocráticos não era militar. Nós os militares portugueses somos treinados, massacrados cerebralmente desde o inicio das nossas carreira pelo respeito pela Constituição. Nós juramos defender a pátria e a Constituição até ao limite das nossas vidas, não é um juramento fácil e pode-nos ser exigido a todo o momento”. Depois de ter deixado um alerta para as preocupações importantes da emigração e da segurança, o Almirante quis chamar a a atenção também para a importância da prosperidade. “Queremos ter uma sociedade que distribui pobreza ou riqueza? Portanto vamos ser todos iguais mas pobres? Coisa bonita, somos todos pobres mas como somos iguais estamos contentes? Eu não gosto de participar numa sociedade destas. Eu sou ambicioso no sentido coletivo do termo. Eu gostaria que fôssemos todos muito mais prósperos, não só para sustentarmos o estado social que é a nossa cama elástica, mas simultaneamente sermos todos mais ricos. Uma sociedade mais rica, mais na classe média é uma sociedade mais equilibrada é estaticamente uma democracia mais forte”.   Por fim e encerrando a interrogação sobre o seu perfil político, Gustavo e Melo dirigiu-se ao autor do livro: “Caro Gustavo, não se preocupe que eu não vou emprestar a minha farda e nem a minha autoridade a nenhum extremismo. Luto no Centro. Já me defini, estou no Centro. Luto enquanto cidadão para que esse Centro consiga representar outra vez os portugueses, para que os portugueses não se sintam não representados por esse Centro e fujam para os extremos porque nos extremos não há soluções ou há soluções simples que nunca funcionam que são as utopias” . Henrique Eduardo Passaláqua de Gouveia e Melo nasceu a 21 de novembro de 1960, em Quelimane, Moçambique. O ex Chefe do Estado-Maior da Armada e Autoridade Marítima Nacional tem dois filhos dos quais se orgulha profundamente: Eduardo,  engenheiro informático e Ryan, médico, do seu casamento com a psicóloga Carol Costeloe de Gouveia e Melo. O ex-coordenador da Task Force para a Vacinação contra a Covid-19 participou nalguns eventos públicos, acompanhado pela diplomata Maria Cristina Castanheta, de 60 anos, sua atual companheira. 

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