Quinta-feira, Março 12, 2026
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Alfaiate Manuel Teles expande negócio para Nova Iorque

Depois de Madrid e Paris, o alfaiate Manuel Teles expande agora o negócio para Nova Iorque, Estados Unidos, porque «no século XXI os clientes de alfaiataria viajam pelo mundo e é preciso segui-los», explica o português à agência Lusa.

Manuel Teles, de 40 anos, passou as duas últimas semanas na cidade norte-americana, onde se reuniu com diversos clientes que, depois de escolherem os modelos e os tecidos, esperam agora cerca de oito semanas pelos fatos que encomendaram e que podem ir dos 450 euros a alguns milhares.

Manuel diz que no seu país «as coisas não estão nada fáceis» e que «conseguia viver se trabalhasse apenas em Portugal, mas não ficava bem financeiramente».

Ainda assim, garante, não é a situação económica que motivou a sua expansão para Nova Iorque.

«Os meus clientes trabalham na área da banca, dos seguros, são diplomatas. Não posso dizer nomes, mas são pessoas que conheci em Portugal, Paris ou Madrid e que se mudaram para cá para trabalhar», explica à agência Lusa.

«Os clientes de alfaiataria são informados, viajam muito. Gostam de algo exclusivo, personalizado, diferente e criam uma relação com o seu alfaiate. No século XXI, é nossa responsabilidade ir ao seu encontro, onde quer que eles estejam», diz.

Manuel aprendeu o ofício com o avô ainda era adolescente, mas a profissão apenas se tornou a sua ocupação principal há quatro anos.

Licenciado em engenharia têxtil, o portuense trabalhou na empresa da família durante quase duas décadas, até que, em 2009, o pai se reformou e nenhum dos filhos quis ficar responsável pelo negócio.

«Chegámos a ter cerca de 300 funcionários. Tínhamos uma marca própria e ainda produzíamos para a Armani, a Carolina Herrera, a Massimo Dutti. Mas não era o que gostava de fazer», explica.

Alguns anos antes, Manuel regressara à alfaiataria numa loja da marca do pai, atendendo clientes que procuravam um serviço personalizado.

Além disso, desde 2003 que «ia percebendo em viagens a Milão e a Florença que o tempo do feito-à-medida estava a regressar».

Por isso, quando a família decidiu fechar a fábrica, «que foi uma decisão muito difícil», Manuel já sabia qual seria o seu caminho.

Assim que abriu o primeiro atelier, na Avenida dos Aliados, no Porto, «tudo passou de uma brincadeira, feita à margem do trabalho, para algo a sério» e o negócio «teve um crescimento muito rápido».

«Portugal é um país pequeno, as pessoas conhecem-se. A palavra foi passando para sul e, um ano depois, abri um atelier em Lisboa, no Príncipe Real», lembra.

Hoje, Manuel Teles tem 12 pessoas a trabalhar consigo e faz cerca de 15 a 20 fatos por mês.

«Estou a controlar a quantidade de encomendas para não baixar a qualidade e aumentar o tempo de espera», diz.

O alfaiate já tem novas viagens marcadas para Nova Iorque, além de Madrid e Paris, mas garante que não está a abandonar o país.

«Eu saio, mas volto sempre. A minha base é Portugal. Acho que estou a mostrar que podemos construir um caminho lá fora sem emigrar. O que estou a fazer ajuda a economia nacional. São as exportações de que tanto se fala».

LUSA

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