O advogado de Duarte Lima revelou, esta quinta-feira, que o mandado de detenção do advogado no caso ligado ao BPN alude ao perigo de fuga do arguido e considerou tal fundamento «manifestamente injustificado», avança a Lusa.
«Duarte Lima sempre esteve no lugar da sua residência e domicílio profissional. Está no sítio onde tem as suas receitas, a sua vida, os contactos sociais e a sua família. Não há nada que leve a pensar que há algum perigo de fuga», declarou Soares da Veiga no final das buscas hoje realizadas à casa/escritório do arguido, na Rua Visconde de Valmor, em Lisboa.
Soares da Veiga confirmou que Duarte Lima será ouvido sexta-feira de manhã no Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), pelo juiz Carlos Alexandre, que acompanhou as buscas realizadas pela PJ e dirigidas pelo titular do processo, o procurador do DCIAP, Rosário Teixeira.
O defensor de Duarte Lima neste processo de «natureza económica» e «totalmente diferente do assunto do Brasil» precisou que Duarte Lima enfrenta suspeitas de branqueamento de capitais, fraude fiscal qualificada e burla qualificada e que só será ouvido sexta-feira porque o Ministério Público também realizou buscas no Algarve e Porto e precisa de recolher todos os elementos antes do interrogatório no TCIC.
Soares da Veiga avançou que algumas partes deste processo são «surpreendentes» e «necessitam de ser analisadas» para se definir uma posição, pois «há questões que são inteiramente novas».
Adiantando que Duarte Lima «vai dizer algo sobre o assunto», Soares da Veiga não precisou contudo se o arguido irá responder a todas as perguntas, justificando que «primeiro» vai analisar os documentos.
O causídico negou que Duarte Lima alguma vez tenha andado escondido, ironizando que sempre esteve em casa, mas «não obviamente à varanda» do prédio de luxo na Visconde de Valmor.
Soares da Veiga explicou que o seu constituinte está detido para ser levado a interrogatório judicial, mas que para isso bastava que tivesse sido notificado para depor, até porque Duarte Lima «iria espontaneamente» ao TCIC esclarecer o que lhe fosse pedido.
«Muitas destas detenções são escusadas», enfatizou Soares da Veiga, negando a existência de perigo de fuga e anunciando que o seu cliente «exercerá os seus direitos perante o juiz», quer fale ou se remeta ao silêncio.
No âmbito deste caso relacionado com dinheiros do BPN e a alienação de terrenos na zona de Oeiras, Duarte Lima foi constituído arguido com Termo de Identidade e Residência (TIR) e está detido para interrogatório.
O caso envolve ainda o seu filho, Pedro Lima, e um amigo e antigo sócio deste, o ex-deputado do PSD Vítor Igreja Raposo.


