Sábado, Janeiro 10, 2026
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Adoçantes: realmente doces ou uma amarga ilusão?

Os edulcorantes são aditivos usados para dar sabor doce aos alimentos. Sendo aditivos, a sua utilização obedece a critérios rigorosos legislados, só sendo permitidos aqueles em que a segurança esteja suficientemente estabelecida. Os adoçantes podem permitir-nos desfrutar do prazer do doce, sem que isso implique um aumento da ingestão de açúcar.

Contudo, isto só é verdade se não cairmos no erro de pensar «já que não como açúcar, posso abusar um bocadinho disto ou daquilo». É ainda importante ter a noção de que «sem açúcar» não é o mesmo que «sem calorias». Dentro dos adoçantes, alguns não fornecem calorias, sendo classificados como não nutritivos (sacarina, acessulfamo-k, ciclamatos, sucralose), mas outros fornecem algumas calorias (açúcares reduzidos, aspartame). Apesar de fornecerem calorias, os açúcares reduzidos e o aspartame têm as suas vantagens. No caso dos açúcares reduzidos (sorbitol, manitol, xilitol, maltitol), a vantagem prende-se com menor risco de desenvolvimento de cáries e com o facto de terem baixo índice glicémico («o açúcar no sangue não sobe tão depressa»).

Estes adoçantes são pois úteis, mas podem, quando consumidos em excesso, ter efeitos indesejáveis (efeito laxante). No caso do aspartame, a vantagem prende-se com o seu elevado poder adoçante, o que implica que uma pequeníssima quantidade nos dê um sabor doce a que correspondem pouquíssimas calorias.

Passemos agora às controvérsias que têm já algumas décadas, mas que permanecem actuais. As questões de segurança relativas à sacarina datam do início da década de 70 do século XX, quando um estudo experimental com sacarina em ratos observou um aumento do cancro da bexiga. As doses de sacarina administradas neste estudo equivaliam a milhares de pastilhas de sacarina tomadas diariamente. Os estudos em seres humanos não confirmaram este resultado e as evidências mais recentes concluíram que a sacarina não está associada ao risco de cancro da bexiga no ser humano. As mesmas controvérsias e conclusões aplicam-se aos ciclamatos. Se fôssemos ratos, devíamos estar preocupados com a sacarina e com os ciclamatos, mas sendo humanos talvez seja melhor preocuparmo-nos com outras coisas.

Quanto ao aspartame, é capaz de ser o mais «detestado». Tem sido acusado infundadamente dos mais diversos malefícios, desde cancerígeno até causa de hiperactividade em crianças. Na sequência de um estudo de 2005, este adoçante voltou recentemente à baila. Um estudo italiano concluiu haver uma associação do aspartame com o aumento do risco de certos cancros em ratos. Toxicologistas de renome mundial já criticaram consideravelmente a metodologia deste estudo. De qualquer modo, o aspartame foi revisto pela European Food Safety Agency (EFSA), tendo sido concluída a sua segurança. O aspartame só não é seguro para as pessoas que tenham fenilcetonúria (doença para a qual todos os recém-nascidos fazem despistagem – teste do pezinho) e que não são capazes de metabolizar a fenilalanina presente no aspartame.

Depois de considerar as questões de segurança, importa questionarmo-nos sobre se os adoçantes podem ajudar a emagrecer. Um estudo de 2006 sumariou os resultados de 16 estudos sobre o efeito do aspartame no consumo energético, tendo concluído que a utilização de alimentos e bebidas com este adoçante pode ser uma medida eficaz para manter e perder peso, sem perder o prazer do doce. Claro que isto não invalida que se tenha cuidado com toda a alimentação. Resta saber se todos podem consumir adoçantes e em que doses. Existem doses diárias admissíveis estabelecidas para cada um dos adoçantes, que indicam as quantidades que poderíamos consumir diariamente durante toda a vida sem risco significativo para a saúde. A dose diária admissível para o aspartame é de 40 mg por kg de peso, para a sacarina de 2,5 mg e para os ciclamatos é de 7 mg.

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