O início do julgamento do jovem português Renato Seabra, acusado do homicídio do colunista social Carlos Castro, em Nova Iorque, foi adiado para 14 de setembro, disse à Lusa o advogado de defesa.
Segundo David Touger, o adiamento deveu-se a “conflitos de agenda” entre as partes, que deveriam reunir-se já na próxima segunda-feira, 10 de setembro.
Contactada hoje pela Lusa, a Procuradoria de Nova Iorque não respondeu em tempo útil.
Touger adiantou ainda que será o juiz chefe Charles Obus, que teve recentemente em mãos o caso de Dominique Strauss-Khan, a conduzir o julgamento, em vez de Charles Solomon, que acompanhou o processo desde o início.
O primeiro passo do julgamento será uma audiência para determinar a validade da confissão que Seabra fez à polícia depois do crime, que vai ser pedida pela defesa.
Trata-se de uma das peças mais importantes para a defesa, comprovando a tese de que Seabra não estava na posse das suas faculdades mentais no momento do crime.
A defesa sustenta que o jovem deve ser considerado “não culpado por razões de doença ou distúrbio mental” e mostra-se confiante que esta tese vai prevalecer perante um júri, quando o julgamento arrancar, escudando-se em relatórios psiquiátricos.
O passo seguinte à audiência, conhecida como “Huntley Hearing”, será a escolha dos jurados do caso, que poderá demorar poucos dias ou até uma semana, dependendo da facilidade de haver acordo entre procuradoria e defesa.
Por isso, afirma o advogado, é “impossível dizer” qual será ao certo a data em que começarão a ser ouvidas as testemunhas.
O início do julgamento, que deverá durar entre 2 e 3 semanas, chegou a ser apontado para abril ou maio.
A demora na entrega de elementos e no arranque do julgamento motivou acesas discussões na sala de audiências entre defesa e acusação, levando o juiz Charles Solomon a declarar-se “frustrado” com o andamento lento do processo.
O caso remonta a 07 de janeiro de 2011, quando Carlos Castro, de 65 anos, foi encontrado nu e com sinais de agressões violentas e mutilação nos órgãos genitais no quarto de hotel que partilhara com Renato Seabra em Manhattan.
O jovem continua na prisão de Rikers Island, por decisão do departamento penal de Nova Iorque, medicado e sujeito a vigilância médica.
O jovem português foi recentemente transferido de uma camarata para uma cela individual, dado o longo período, mais de um ano, há que chegou à prisão.
Lusa


