Sábado, Março 14, 2026
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A confusão instalada durante a «época alta» das dietas

Com o início da Primavera e a aproximação do Verão, começamos a ser «bombardeados» com uma quantidade infindável de comunicação acerca de dietas e suplementos para emagrecer que – infelizmente – tem mais desinformação do que informação.

No meio dos muitos relatos acerca de como perder aqueles «quilinhos a mais», perde-se frequentemente a capacidade de discernir entre conselhos realmente sólidos e pura ficção. Ano após ano, novas dietas aparecem nas prateleiras das livrarias, nas revistas e nas conversas de amigos. Algumas não são realmente novas. São apenas dietas às quais foi dada uma nova «roupagem». Mas a verdade é que muitos as experimentam, na esperança de que esta «nova» dieta resulte. Normalmente, o aspeto comum a todas estas dietas é a sua radicalidade. Umas eliminam hidratos de carbono e são excessivas em proteínas, outras são monotemáticas (apenas com um ou dois alimentos) e outras são variantes destas versões. No início parecem funcionar, mas o seu sucesso é, na grande maioria dos casos, «sol de pouca dura».

A pergunta que coloco a quem me lê é: Acha que se já se tivesse descoberto uma cura rápida para a obesidade e o excesso de peso, essa cura não teria sido disponibilizada às pessoas que sofrem de um problema tão grave?

A verdade é que o excesso de peso e a obesidade são problemas demasiado sérios e complexos para serem tratados de forma leviana com promessas vãs e perigosas. Por muito que custe aceitar, a única forma de emagrecer (leia-se perder gordura e não apenas quilos) é consumir menor quantidade de energia do que aquela que gastamos. Dito por outras palavras, comer menos e mexermo-nos mais. Claro que não é fácil nem rápido.

Uma das «dietas da moda» mais em voga é a dieta hiperproteica (pobre em hidratos de carbono). Talvez o facto de permitir o consumo ilimitado de alimentos proteicos seja o seu grande atrativo. Peço desculpa ao leitor, mas para explicar o que este tipo de dieta pode fazer, tenho de explicar um pouco o nosso metabolismo. Quando uma pessoa consome quantidades muito reduzidas de hidratos de carbono (eliminando pão, tostas, massas, arroz, batata, leguminosas, fruta), o organismo reage como se estivesse em jejum, usando o glicogénio para obter glicose. Em apenas algumas horas, o glicogénio armazenado no fígado e nos músculos esgota-se e os níveis de glicose no sangue descem. Esta hipoglicémia serve como sinal para que o organismo use gorduras e proteínas. Quando se chega a esta fase, a maior parte das células já está dependente de gorduras para obter energia, mas os glóbulos vermelhos e as células do sistema nervoso central necessitam de glicose. Uma vez que a gordura corporal não é facilmente convertida em glicose, o organismo começa a usar proteína estrutural (dos nossos músculos) para obter aminoácidos que possam ser convertidos em glicose. Chama-se a este processo catabolismo proteico, e se continuasse indefinidamente, a morte seria um desfecho muito provável.

Assim, o organismo começa a usar mais gordura para tentar compensar a falta de glicose. À medida que o processo continua, o organismo encontra outras formas de alimentar o nosso órgão mais nobre (o cérebro), produzindo fontes alternativas de energia conhecidas por corpos cetónicos (que podem levar a um estado tóxico conhecido por cetose e que os diabéticos gostavam de não conhecer). Contudo, muitas células nervosas são exclusivamente dependentes de glicose, o que implica que o músculo continue a ser sacrificado. A dieta pode fornecer proteína, mas isso não vai impedir algum catabolismo proteico. Perdem-se então quilos, pois o músculo é pesado e porque o excesso de aminoácidos tem de ser excretado, o que implica perda elevada de água.

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