A imprensa russa não deixou passar despercebido o primeiro aniversário do regresso de Alexandra, a menina russa que foi retirada à família de acolhimento pelo Tribunal de Guimarães e entregue à mãe biológica.
«Há um ano, Sandra não dizia uma palavra em russo. Isso complicava o seu contacto com outras crianças e parentes. Natália, que sabe um pouco de português, pois viveu oito anos em Portugal, servia de tradutora», escreve o correspondente da agência Ria-Novosti que esteve na vila natal da mãe da menina.
Segundo a agência, «Sandra fala russo sem sotaque, confundindo apenas raramente as declinações. Por vezes, deixa escapar calão e léxico não normativo. Mas isso, só às vezes. Mas a menina começou lentamente a esquecer o português».
A correspondente do diário Komsomolskaia Pravda concretiza: «Ela aprendeu russo de forma tão perfeita que, durante uma zanga, mandou o rapaz vizinho para aquela parte…»
Em declarações a este jornal, Natália Zarubina/Sarbach reafirma não tencionar regressar a Portugal, sendo apoiada pela filha. À pergunta da jornalista: «Não tens saudades de Portugal, da Florinda, dos amigos», Sandra responde: «Lá não tenho amigos além do Bruno. Não quero ir para lá porque não posso passear».
Porém, Natália, contactada pela Lusa por telefone, comentou: «Às vezes, ela ainda fala de Portugal, do que se recorda, mas já esqueceu o português, apenas se recorda da palavra olá».
«Eles (a família Pinheiro) convidam-me para ir passar férias a Portugal, dizem que têm lá roupas e outras coisas para a menina, até ouro. Mas não vou, tenho muitos problemas aqui para resolver», acrescenta a mãe de Alexandra.
A menina está impaciente por começar a frequentar a escola primária, cujo início está previsto para 01 de setembro.
«Essa é agora a preocupação principal. Sandra está impaciente, cheia de vontade de ir para a escola», diz Natália à Lusa.
A agência Ria-Novosti chama a atenção para o facto da situação financeira da família continuar a ser difícil, valendo a reforma da avó de Sandra. A mãe trabalhou numa fábrica de vestuário mas despediu-se e agora, segundo ela, «ando a apanhar papéis».
«Na fábrica pagavam pouco e tinha de trabalhar aos sábados. Eu tenho família, crianças», explica Natália ao Komsomolskaia Pravda.
Em declarações à Lusa, Natália precisou: «limpo ruas, trato de flores, participo nos preparativos para o dia da vila, no sábado. Depois veremos».
A mãe de Alexandra não esconde existirem problemas financeiros, mas acrescenta que «tudo se irá arranjar».
Quanto à atitude dos vizinhos face à família Zarubina, a imprensa sublinha o facto de ela não ser unânime
«Entre os entrevistados, encontrámos uma família que se via à distância que bebe. Segundo eles, a Natália foi visitá-los há poucos dias atrás e que ela só apanha borracheiras quando vai a casa deles», escreve a Ria-Novosti.
Natália explica ao Komsomolskaia Pravda: «alguns passam, apontam com o dedo e resmungam nas costas. Mas isso é por inveja, porque os jornalistas não os fotografam».
«Nos últimos dias, voltaram a aparecer mais jornalistas, mas a vida é mais calma, ninguém nos incomoda», afirmou à Lusa.


