Um novo tratamento contra o cancro do ovário permite aumentar a sobrevida das doentes em cerca de 7 meses, revelou Daniel Pereira da Silva, director do serviço de ginecologia do IPO de Coimbra, considerando o medicamento interessante».
Trata-se de uma opção terapêutica importante no tratamento deste tipo de tumor. Daniel Pereira da Silva não hesita em afirmar que «pelos resultados que os estudos mostraram a trabectidina vem afigurar-se como uma alternativa muito interessante porque há ganhos em termos de sobrevivência na ordem dos 6/7 meses e com uma toxicidade menor».
Em média e de uma forma geral, a nível internacional, se o diagnóstico do cancro do ovário for precoce, a sobrevida aos 5 anos pode ultrapassar os 90 por cento. Com este tratamento é possível aumentar esta taxa com uma boa qualidade de vida uma vez que a toxicidade é menor.
«Se olharmos para a história da ginecologia oncológica não foram muitos s fármacos que nos seus primórdios tiveram ganhos de sobrevida desta natureza. Haver um ganho na ordem dos 6 a 7 meses no meu ponto de vista é significativo e acho que a trabectidina vai merecer uma preferência maior como terapêutica de segunda linha», refere o especialista.
A terapêutica de primeira linha está consensualizado que é um tratamento com base no platino e nos texanos, oferecendo bons resultados em termos de sobrevivência, intervalo livre de doença e toxicidade. No entanto, nem todas as doentes respondem a este tratamento, ou são platino resistentes. Por outro lado, quando findos os ciclos das doses máximas de toxicidade e existe recorrência da doença, os tratamentos de segunda linha são a opção.
O cancro do ovário é um tumor pouco frequente quando comparado com os outros tumores genitais, mas é o mais mortal. Isto porque, conforme nos explica Daniel Pereira da Silva, «é um cancro extremamente agressivo, do qual não se conhece a história natural com exactidão e se desenvolve de uma forma muito explosiva. Ou seja, enquanto outros tumores passam por fases pré-cancerosas e se vão desenvolvendo ao longo do tempo, o do ovário não».
Segundo o último registo nacional que data de 2005 este tipo de tumor tem uma taxa de incidência na ordem dos 6,6 por 6000 mulheres. Apesar de poder surgir em qualquer idade, o cancro do ovário tem maior prevalência nas mulheres a partir dos 40/45 anos de idade e pós-menopausa.
Actualmente, não existe nenhum teste ou exame que permita servir de rastreio, prevenção ou mesmo de diagnóstico precoce. Assim, não existindo métodos de prevenção Daniel pereira da Silva aconselha um exame ginecológico anual, no qual não é obrigatório que se faça ecografia. Ninguém o recomenda em parte nenhuma do mundo».
Contudo, é recomendada uma vigilância mais apertada em famílias cuja incidência deste tumor, ou outros que lhe estão associados (mama, cólon…), seja elevada. Isto porque, sublinha o ginecologista, «é sabido que havendo mutações de determinados genes que a probabilidade de aparecimento deste cancro é mais de 50 por cento. Nestas circunstâncias a mulher tem direito a saber e a decidir por si o que quer fazer. Ou seja, diminuir a probabilidade de vir a ter a doença, retirando antecipadamente os dois ovários, embora sofra as consequências de tomar essa medida, mas são decisões que devem ser ponderadas».
Se o diagnóstico for precoce e o tumor estiver num só ovário a probabilidade de cura é maior. «Infelizmente a maior parte dos casos que encontramos estão ambos os ovários atingidos e a situação já está disseminada com metástases», lamenta.
Acontece que os sintomas na fase precoce da doença são inespecíficos. Pode surgir desconforto abdominal, um certo mal-estar e dores que se confundem com problemas intestinais. Na fase adiantada da doença há um aumento significativo do volume do abdómen e há mesmo a acumulação de líquido, sinais de mau prognóstico e de que o processo está a avançar com rapidez.


