As cheias em Portugal são o tema do primeiro episódio do programa da RTP «Depois do Adeus», com estreia marcada para domingo e apresentação de Maria Elisa, que se propõe recordar momentos importantes da história recente e quem os protagonizou.
Segundo a agência Lusa, trata-se de um programa que pretende evocar e reflectir sobre determinados acontecimentos que ocorreram em Portugal, que na altura foram notícia, e que mudaram profundamente a vida de pessoas ou de comunidades – o título «depois do adeus» marca precisamente o fim de uma etapa e o começo de outra – e tentar perceber o que aconteceu depois de encerrados esses acontecimentos e de os seus protagonistas voltarem a mergulhar no anonimato, explicou em conferência de imprensa a jornalista Maria Elisa.
Estreia é já no domingo
O primeiro episódio, que foi gravado terça-feira e estreia domingo às 23h na RTP, a seguir à série «Conta-me como foi», é sobre as grandes cheias de 1967, a maior catástrofe natural em Portugal a seguir ao terramoto de 1755, mas também sobre as de 83 e de 97.
O objectivo é recordar o contexto socio-político em que ocorreram, analisar as medidas na altura tomadas e tentar perceber, vários anos depois, o que aconteceu, o que mudou entretanto, o que é feito dos protagonistas.
O programa é construído em duas partes: uma de pequenas reportagens sobre os acontecimentos e outra de entrevistas no estúdio com protagonistas dos acontecimentos ou com responsáveis relacionados de alguma forma com o tema abordado.
Pacheco Pereira no primeiro programa
A título de exemplo, Maria Elisa referiu que para o programa das cheias vão estar em estúdio Pacheco Pereira, Diana Andringa e Helena Roseta, que na altura faziam parte do movimento estudantil que se envolveu nas acções de resgate, de ajuda e de vacinação das populações afectadas.
Serão debatidas as causas das cheias, nomeadamente as de 67, que se sabe terem sido motivadas pelo clima mas principalmente pelas «condições profundamente degradantes em que as pessoas viviam», razão por que vão estar também em estúdio responsáveis do ordenamento do território, dos recursos hídricos e autarcas.
Vão ser ainda entrevistados cidadãos que viveram na primeira pessoa a tragédia e que perderam familiares e bens pessoais nas cheias.
Contudo, Maria Elisa assegura que o programa «procurará evitar a lágrima fácil e o apelo mais primário às emoções», adiantando que as reportagens param «no limite do que é uma certa decência para com a dor das pessoas».
Outros temas que vão dominar o programa ao longo dos 13 episódios são os 20 anos do Erasmus, a queda da ponte de Entre-os-Rios, os Retornados e a forma como refizeram as vidas depois de voltar de África, Goa e o adeus à Índia, o Incêndio do Chiado e a sua recuperação, a Expo 98, os idosos e o que lhes acontece depois de se despedirem das famílias.


