Aos 65 anos, o jornalista Carlos Pinto Coelho foi agraciado pelo Governo francês com as insígnias de Oficial da Ordem das Artes e das Letras, pelo embaixador de França em Portugal, Denis Delbourg, na Embaixada de França, em Lisboa. Ao entregar esta prestigiada comenda a Carlos Pinto Coelho, o Governo francês pretendeu homenagear a carreira do jornalista que entrevistou e divulgou importantes nomes das letras francesas em Portugal e que, ao longo dos tempos, tem dado um valioso contributo para o reforço dos laços culturais e de amizade entre Portugal e França.
Foi num ambiente de enorme alegria que aquele que Portugal trata carinhosamente por «Sr. Acontece», graças ao programa cultural «Acontece», da RTP 2, que, durante quase 10 anos, cativou diariamente o público português, recebeu esta distinção. «Estão aqui as pessoas que mais estimo num momento em que não tenho nenhuma vergonha das palavras. Estou emocionado, feliz e honrado com esta distinção. Graças a vocês e a esta condecoração feita pelo Estado francês, saio daqui hoje mais rico, feliz e seguramente mais humilde. Estou honrado e muito feliz e foi difícil não me emocionar. Mas isso também é um enorme apelo à minha responsabilidade enquanto jornalista», confessou Carlos Pinto Coelho.
Num momento tão especial da sua vida, o jornalista contou com o carinho da mulher, Clara Alvarez, e das quatro filhas, Ana, Filipa, Bárbara e Joana, entre muitos outros amigos e familiares.
«Não sei se ele ansiava por este momento, mas esta condecoração é muito importante para ele e justamente merecida. Estamos casados há quase 20 anos, nem sempre partilhamos os mesmos gostos e opiniões, o que torna a relação ainda mais interessante. O Carlos é um homem muito generoso», revelou Clara Alvarez, sem esconder a alegria do momento.
Sentimento partilhado pela filha Bárbara Pinto Coelho: «É uma honra enorme poder assistir a tão grande prestígio atribuído ao meu pai. Mas, sobretudo, perceber a imensa humildade com que o pai a recebeu. Ele sempre foi um pai muito presente e afectuoso», afirmou, sorridente.
Entre os amigos, vários rostos bem conhecidos da cultura e da política portuguesas, todos visivelmente orgulhosos por este reconhecimento, mas sem esconderem alguma tristeza pelo facto de o mesmo ter partido primeiro de França do que de Portugal, como seria de esperar.
«Sou amigo e admirador do Carlos Pinto Coelho e é essa razão que me traz aqui hoje. Num país, onde, às vezes, é extraordinariamente difícil reconhecer o mérito das pessoas, acaba por ser a França a fazê-lo», confessou Emídio Rangel.
Para a escritora Lídia Jorge foi um final de tarde especialmente feliz: «Tenho uma enorme amizade pelo Carlos Pinto Coelho e sinto uma enorme felicidade por ver que o Estado francês lhe reconhece o papel que ele teve em Portugal e na difusão da cultura francesa. É uma grande honra e um grande orgulho estar aqui ao seu lado hoje e só desejo que ele continue a ter este papel, e que seja também reconhecido por todos nós», confessou.
A fadista Kátia Guerreiro não escondeu igualmente o imenso orgulho por estar presente nesta cerimónia. «Tenho uma amizade profunda pelo Carlos Pinto Coelho, que já era um grande amigo da minha mãe. Quando vivi em Évora, ele foi um enorme apoio porque eu estava lá sozinha e passámos muito tempo juntos. Somos muito próximos e é um homem extraordinário! O «Acontece» foi o programa cultural mais importante dos últimos 20 anos», referiu.
A cerimónia, que por coincidência aconteceu no Dia do Pai, até nisso tornou o momento mais especial para Carlos Pinto Coelho: «Estou muito feliz por ter tido aqui as minhas quatro filhas. Hoje, veria com muita dificuldade ter um rapaz. Já sei tudo sobre as mulheres, até mais do que elas sabem sobre si mesmas. Temos uma cumplicidade enorme…», revelou, visivelmente feliz e emocionado.


