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Malala Yousafzai lança livro de memórias, onde revela a sua história de amor com Asser Malik, vivida em segredo durante anos

A jovem vencedora do prémio Nobel da Paz conquistou o mundo aos 15 anos, após um brutal ataque em 2012. Malala Yousafzai foi baleada, com três tiros na cabeça, por um talibã, num autocarro escolar no Paquistão, por defender o direito à educação das raparigas. Malala foi socorrida e levada para um hospital, onde permaneceu em estado grave. Quando melhorou foi transferida para o Reino Unido, para um hospital especializado em feridos de guerra. Malala sobreviveu ao atentado, recuperou-se e não recuou nas convicções, tornando-se porta-voz do direito à educação. A família mudou-se para Birmingham, onde ainda vive. Agora, Malala volta a emocionar, desta vez com o lado mais privado da sua vida. Em “O Meu Caminho”, da Presença, o novo livro de memórias, revela detalhes inéditos da relação com o agora marido, Asser Malik. Na sua obra mais pessoal, a jovem ativista paquistanesa conta, na primeira pessoa, a história de amor que viveu quase às escondidas. Tudo começou de forma discreta, depois de conhecer Asser Malik, um gestor ligado ao críquete, em Oxford, no Reino Unido, onde ela estudava, e ele foi visitar amigos. “Quando chegou a hora de irmos jantar, o meu corpo sentiu-se possuído: fui tomada por um instinto de namoriscar com este desconhecido tão bonito e fui incapaz de me travar. Não parava quieta, enrolava o cabelo e ria-me demasiado alto de tudo o que ele dizia. Quando me perguntou se estava a gostar da faculdade, esforcei-me por soar fixe e rebelde”, conta Malala no livro. E continua: “Quando cheguei a casa naquela noite, pedi à minha mãe para marcar depilação a laser para a minha monocelha. Havia mais de um ano que me andava a chatear para fazer isso, e fiquei aliviada por não me perguntar o que me fez mudar de ideias. Sabia que as sobrancelhas modeladas não tratariam de todas as falhas que via no meu rosto. Mas talvez, pensei eu, devesse esforçar-me mais para cuidar da minha aparência… só para o caso de voltar a vê-lo.” Malik regressou a casa, ao Paquistão, e a relação acabou por crescer através de longas chamadas telefónicas. “Quando Asser disse que viajaria do Paquistão para o Reino Unido em julho, fiquei encantada, embora não completamente surpresa. A sobrinha estava a formar-se em medicina e o Reino Unido ia acolher a Copa do Mundo de Críquete. Porém, o principal motivo era eu. Ele não precisava dizer nada, eu sabia que não estava enganada sobre os seus sentimentos. Depois daquele primeiro telefonema em que lhe contei o que estava a viver em Oxford, com o cansaço e os ataques de pânico, ele ligava quase todos os dias. No início, preocupava-se principalmente com a minha saúde, certificando-se de que eu tomava os comprimidos de ferro e zangando-se quando lhe disse que durante os últimos dois dias só tinha comido batatas fritas. Depois, as nossas conversas tornaram-se mais longas, abrangendo tópicos como paixões por celebridades, sonhos de infância e a existência de Deus. Com Asser, conseguia conversar durante horas.” Malala conta que percebeu que se tinham tornado mais do que amigos: “Ambos reconhecíamos isso. Ele tratava-me por ’amor’ e dizia que eu estava linda nas fotos que lhe enviava. A minha falta de experiência em relacionamentos, às vezes, mostrava que eu estava a tentar conquistar um homem de 29 anos com o repertório romântico de uma menina de 12.” Malala recorda uma das visitas de Asser ao Reino Unido: “Quando ele chegou, todas as nossas experiências, a hesitação em relação aos sentimentos do verão anterior e as nossas recentes conversas telefónicas de quatro horas misturaram-se e criaram a emoção de uma nova relação com a familiaridade de um relacionamento mais antigo. Passávamos o dia inteiro juntos. Em longas viagens de carro para Londres, sentávamo-nos num silêncio confortável, contentes em simplesmente existir um ao lado do outro enquanto observávamos a paisagem rural e ouvíamos as playlists dos anos 90 dos meus seguranças. Uma noite, fomos a um restaurante numa antiga mansão no interior do Reino Unido. ‘Com licença, só um minutinho’, disse ao Asser quando o empregado nos levou para uma mesa perto da janela. Tinha saído da casa dos meus pais com um shalwar kameez que minha mãe aprovou, mas enfiei uma muda de roupa na mala: um vestido sem mangas, justo ao corpo, de renda rosa-claro e levei os meus saltos mais altos. Quando voltei para a mesa, Asser endireitou-se e rasgou um sorriso que eu nunca tinha visto. Afastou a minha cadeira e sussurrou ao meu ouvido: ‘És uma sex bomb.’ Escondi a cara atrás do guardanapo, ao mesmo tempo encantada e tímida.” Apesar de apaixonado, o casal optou por manter a relação em segredo por receio de polémicas no Paquistão, onde namoros antes do casamento não são bem vistos, mas também porque Malala temia a reação dos pais. Numa viagem de avião com o pai, decidiu contar-lhe, mas pediu segredo da mãe, o que não aconteceu. “Observei incrédula o meu pai, meu confidente, pegar no telefone e ligar para casa. Do outro lado da linha, ouvi a minha mãe dizer: ‘Nem pensar! Ele fala sequer pashto? Ela tem de se casar com um pashtun.’” Malala ficou magoada e assume que preferia ter mantido a sua paixão mais tempo em segredo: “Será que não posso simplesmente viver a vida como todos os outros jovens de 21 anos? Embora os meus pais não me obrigassem a casar contra a minha vontade, jamais aceitariam que tivesse um namorado. Nada de olhar, nada de tocar, nada de namorar. Qualquer conversa com um homem antes do casamento tinha que ser supervisionada pelos pais. Essas eram as regras pashtuns, e eu já as tinha quebrado todas.” Na visita seguinte, Asser conheceu os pais e irmãos de Malala: “Quando se foi embora, tive o desejo de correr atrás do carro, saltar lá para dentro e fugir com ele. Não sabia como iria sobreviver às próximas semanas.” Em 2020, com 22 anos, oito anos após sofrer o atentado, Malala Yousafzai concluiu a faculdade de Filosofia Política e Económica, pela Universidade de Oxford. Cerca de um ano depois casou-se com Asser Malik numa cerimónia pequena e privada, na casa dos pais de Malala, em Birmingham

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