Com inúmeros trabalhos no currículo, e apesar de já ter recebido nomeações e alguns galardões, entre eles o Globo de Ouro, em janeiro, para Melhor Atriz em Filme de Comédia, Rose Byrne assume que ficou radiante com a nomeação ao Óscar. “Parece tão surreal. Eu só gritava e gritava… não consigo acreditar! É uma honra tão grande que não há palavras para descrever o que sinto.” Na comédia dramática “Se eu tivesse pernas, dava-te um pontapé”, a atriz australiana veste a pele de Linda, uma terapeuta que tem de lidar com uma série de crises angustiantes que se multiplicam a cada minuto. A filha, que nunca aparece no ecrã, tem uma doença misteriosa e incurável que envolve ser alimentado por sonda, numa máquina com bipes incessantes e chora constantemente; o marido está frequentemente fora da cidade a trabalho e o teto da casa desaba devido a um cano roto. Para aumentar ainda mais ansiedade, a argumentista e realizadora Mary Bronstein filma Byrne quase sempre numa série de close-ups prolongados, garantindo que o seu rosto não só é o centro da cena como, muitas vezes, preenche o ecrã por completo. “Este é um filme radical e foi um presente único na minha vida interpretar Linda. Sinto-me muito honrada por ser reconhecida pela Academia por este filme punk rock e por estar entre as performances surpreendentes deste ano. Este reconhecimento está além dos meus sonhos mais loucos, e partilho-o com Mary Bronstein”, afirmou na reação à nomeação ao Óscar de Melhor Atriz. Byrne, de 46 anos, tem recebido críticas entusiásticas pela sua representação e, apesar de já ter feito vários trabalhos de estilo comédia, afirma que foi “incrível” a possibilidade de levar o humor do filme a “níveis que nunca tinha alcançado antes” e acrescentou: “É óbvio que este filme é muito sombrio e dramático. E há elementos de terror e elementos ‘lynchianos’ [David Lynch]. Ele desafia o género de várias maneiras, o que é realmente empolgante, mas é definitivamente uma corda bamba.” O filme reflete as expectativas em relação às mães e “a vergonha com sentimentos de deceção”. Rose Byrne, que mantém uma relação com o ator americano Bobby Cannavale desde 2012, com quem tem dois filhos Rocco, de 9 anos, e Rafa, de 8, disse em entrevista ao Dazed: “Ter um filho é como um espelho das próprias limitações. Só quando nos tornamos pais é que percebemos. Eles estão apenas a ser crianças, nós é que temos de aprender. Somos lançados neste que é o papel mais desafiante da nossa vida”, diz sobre a sua própria experiência da maternidade, sobretudo com filhos com idades tão próximas. “Estou sempre a achar que vou conseguir controlar tudo e nunca consigo. Estou sempre completamente sobrecarregada. Não tenho direito de dar lições a ninguém como ser pai ou mãe. Vou aprendendo com a prática.” Durante uma participação no programa “Late Night with Seth Meyers”, em que o apresentador lhe perguntou se era revigorante voltar para os filhos após um logo dia de filmagens, Rose não conseguiu fingir: “Sim… Quer dizer, não. [risos] As crianças não se importam se tivemos um dia longo ou se estamos cansadas, mas isso acaba por ser revigorante.” Nas entrevistas que tem dado sobre o papel que lhe valeu agora a nomeação ao Óscar, Rose não doura a pílula sobre os diversos sentimentos que a maternidade traz. Ao The Times afirmou: “Não queremos nunca sentir que não amamos os filhos, mas há uma tristeza em torno de nos tornarmos mães, porque se perde uma parte de nós mesmas que nunca mais se recupera, e é normal sentir tristeza por isso. Na verdade, devemos sentir. Porque há definitivamente um antes e um depois.” Estes sentimentos que se permite sentir e verbalizar fazem com que tenha consciência do outro lado da maternidade, mas em nada beliscam a vontade que tem de ter sempre os filhos ao seu lado e aquilo que quer para a dinâmica da família. A atriz e Cannavale tentam trabalhar nos mesmos projetos sempre que possível e já participaram em vários filmes juntos como “Spy”, “Adultos Inexperientes”, “Annie” ou “Ezra”, tudo para conseguir manter os filhos por perto e a família sempre junta. Rose Byrne, que é filha de dois atores, sabe o que é ter pais que estão muitas vezes longe e afirma que os filhos vão ser sempre livres de escolher o que quiserem fazer no futuro. “Quero que eles sigam os seus próprios sonhos. Lembro-me de ter feito o filme ‘The Rage in Placid Lake’ há anos com Ben Lee, sobre um miúdo que se rebelou contra os seus pais boémios e se tornou contabilista. Talvez os meus filhos queiram fazer algo realmente diferente, como gerir uma empresa de granola ou tornarem-se contabilistas”, disse à Jones Magazine. E a prova de que tanto Rose como o companheiro fazem questão de que os filhos tenham uma vida “normal”, e para já longe da indústria, aconteceu durante os Globos de Ouro, em que, em vez do marido, a atriz contou com a companhia do irmão. A ausência foi justificada enquanto proferia o discurso de aceitação do Globo: “Obrigada ao meu marido, Bobby. Ele não está aqui hoje, porque vamos comprar um dragão barbudo, e ele foi a uma exposição de répteis em Nova Jérsia. Ele está bem! É para as crianças, que estão muito felizes.” Apesar de estarem juntos há nove anos, Rose Byrne e Bobby Cannavale nunca casaram, mas a atriz afirma que se considera casada. “Eu digo ‘casados’. Ainda não fomos ao registo, mas somos casados”, disse ao The Washington Post. Na mesma entrevista falou de como Bobby é mais reconhecido pelo público do que ela, quando estão em Nova Iorque: “Toda a gente conhece o Bobby. É difícil não reparar nele. Na verdade, sinto que ele é a pessoa mais identificável na rua. Ele e o Robert De Niro.”


